Quando se pensa num construtor de automóveis, atualmente, pensa-se não somente em veículos, mas também nos mais variados serviços de mobilidade que tornem os automóveis mais conectados.

Se para se lançarem automóveis são indispensáveis plataformas/chassis (e plataformas preparadas para a eletrificação, naturalmente) para a disponibilização de serviços de mobilidade é fundamental outro género de plataformas, estas de base eletrónica e digital.

Tendo presente esta visão integrada, o Grupo Stellantis revelou esta terça-feira, num evento transmitido por streaming à escala global e acompanhado pelo Welectric, a sua estratégia de software que visa lançar as tais plataformas tecnológicas de próxima geração, partindo das atuais capacidades dos veículos conectados.

Estas plataformas de software irão transformar a forma como os clientes interagem com os seus veículos.

“Esta transformação fará evoluir os veículos da Stellantis das atuais arquiteturas eletrónicas para uma plataforma de software, que se integre no mundo digital dos clientes. Ela alarga consideravelmente as opções que os clientes têm de adicionar funcionalidades e serviços inovadores através de atualizações over-the-air (OTA), para disporem continuamente de veículos com as mais recentes versões de software”, explica o construtor.

“As nossas estratégias de eletrificação e de software irão acelerar a nossa transformação para tornarmo-nos numa empresa tecnológica (‘tech company’) líder da mobilidade sustentável, impulsionando o crescimento do negócio associado aos novos serviços e à tecnologia ‘over-the-air’, e oferecendo a melhor experiência aos nossos clientes”, afirmou Carlos Tavares, CEO da Stellantis.

Três novas plataformas tecnológicas a surgir em 2024 para veículos conectados

O Grupo Stellantis prepara três novas plataformas, a lançar em 2024, as quais serão introduzidas nas quatro plataformas de veículos da Stellantis ao longo dos dois anos seguintes.

As três plataformas tecnológicas são a STLA Brain; a STLA SmartCockpit; e a STLA AutoDrive.

 

STLA Brain

A Stellantis explica que o “coração da transformação para serviços centrados no cliente é a nova arquitetura elétrica/eletrónica (E/E) e SW (software), denominada STLA Brain”.

Com capacidade OTA (over-the-air), a STLA Brain envolve 30 módulos, contra os atuais 10, o que a torna altamente flexível.

Trata-se de uma arquitetura orientada para o serviço e totalmente integrada com a cloud, ligando as unidades de controlo eletrónico integradas no veículo com o seu computador central de elevada performance (HPC – High Performing Computer) através de um data bus (via de transferência de dados) de elevada velocidade.

“Quebra a ligação que atualmente existe entre as gerações de hardware e de software, permitindo aos responsáveis pelo desenvolvimento de software criar e atualizar rapidamente funcionalidades e serviços, sem terem de esperar pelo lançamento de um novo hardware”, destaca a Stellantis. Estas atualizações OTA reduzem drasticamente os custos, tanto para os clientes como para a Stellantis, simplificam a manutenção para o utilizador e sustentam os valores residuais dos veículos.

STLA SmartCockpit

Tendo como base a arquitetura STLA Brain, a arquitetura STLA SmartCockpit irá integrar-se com a vida digital dos ocupantes do veículo, criando um novo espaço de vida personalizável.

A STLA SmartCockpit, impulsionada pela joint-venture Mobile Drive criada entre a Stellantis e a Foxconn, oferece aplicações baseadas em IA (Inteligência Artificial), tais como navegação, assistência de voz, e-commerce e serviços de pagamento.

STLA AutoDrive

Finalmente, a arquitetura STLA AutoDrive, desenvolvida em parceria com a BMW, irá proporcionar capacidades de condução autónoma de níveis L2, L2+ e L3 e será continuamente evoluída através de atualizações OTA.

“Com as três novas plataformas tecnológicas impulsionadas por Inteligência Artificial, implantadas nas quatro plataformas de veículos STLA, que chegarão em 2024, iremos aproveitar a velocidade e a agilidade que resultam da dissociação dos ciclos de ‘hardware’ e de ‘software’.”

A Stellantis planeia investir mais de 30 mil milhões de euros até 2025 para realizar a sua transformação nos domínios do software e da eletrificação.

Negócios assentes em software com rápido crescimento

Do ponto de vista do negócio, a Stellantis aponta que este investimento e esta estratégia venha a gerar cerca de 4 mil milhões de euros em receitas até 2026, para depois, até 2030, atingir os 34 milhões de veículos e aproximadamente 20 mil milhões de euros em receitas anuais. O termo rentabilizável corresponde aos primeiros cinco anos de vida do veículo.

A Stellantis refere que irá fazer crescer o seu negócio assente em plataformas de software e serviços conectados com base em cinco pilares-chave:

  • Serviços e Subscrições
  • Equipamentos a Pedido
  • DaaS (Dados como Serviços) e Frotas
  • Definição de Preços de Veículos e Valor de Revenda
  • Estratégia de Conquista, Retenção de Serviços e Vendas Cruzadas.

A Stellantis conta hoje com cerca 12 milhões de carros conectados rentabilizáveis a nível global. Até 2026, prevê-se que este número cresça para 26 milhões de veículos.

Aproveitando as suas capacidades de recolha de dados, em 2022 a Stellantis irá lançar um programa de seguros baseado na utilização, disponibilizado através de bancos cativos na Europa e na América do Norte, com a intenção de se expandir a nível global.

Recrutamento de talento informático
Para suportar esta transformação, a Stellantis está a criar uma academia de software e de dados, pretendendo envolver mais de um milhar de engenheiros internos em múltiplas funções e desenvolver a sua comunidade Tech.
A empresa também está a contratar talentos em Software e IA, de empresas tecnológicas e de outras indústrias a nível global.
Até 2024, a Stellantis tem como alvo conquistar 4.500 engenheiros em Software, criando hubs de talentos em todo o mundo.

Cada vez mais atualizações OTA

Através do software e das funcionalidades on-demand, a Stellantis está já a fornecer aos clientes das suas 14 marcas atualizações do tipo OTA, reforçando a ligação entre o veículo e o condutor.

Até à data, a Stellantis já realizou mais de seis milhões de atualizações over-the-air nos seus veículos, contudo, a estratégia passa por elevar este volume de dados, disponibilizando lançamentos pelo menos trimestrais até 2026.

“Atualmente, os veículos conectados da Stellantis fornecem mais de três triliões de pontos de dados, gerando insights oportunos e acionáveis. Os engenheiros da Stellantis estão a usar esta informação para encurtar o ciclo de melhoria contínua dos veículos, melhorando a satisfação dos clientes, ao mesmo tempo que geram 1,1 mil milhões de euros em eficiências até 2030”, destaca o construtor.

A Stellantis está a desenvolver este seu plano com base em parcerias estratégicas com diferentes empresas, caso de BMW, Foxconn e Waymo.

Foxconn

Para além do lançamento da Mobile Drive, agendado para o dia 31 de dezembro de 2021, o novo memorando de acordo não vinculativo assinado com a Foxconn visa desenvolver uma família de microcontroladores, construídos especificamente para apoiar a Stellantis e clientes terceiros. A parceria destina-se a desenvolver quatro famílias de chips que irão cobrir mais de 80% das necessidades de microcontroladores da empresa, ajudando a simplificar, consideravelmente, a cadeia de abastecimento. A adoção e instalação de produtos nos veículos Stellantis deverá acontecer até 2024.

Waymo

A Stellantis prossegue, também, os seus projetos dedicados com a Waymo. Com unidades Chrysler Pacifica Hybrid equipadas com a função Waymo Driver a proporcionar milhares de deslocações em modo totalmente autónomo em Phoenix, no estado do Arizona (EUA), a Stellantis e a Waymo expandiram, agora, a sua parceria aos serviços de entregas locais. Com base na liderança da Stellantis no mercado dos veículos comerciais ligeiros e no seu investimento em eletrificação, os parceiros estão a colaborar em fluxos de trabalho focados no desenvolvimento comercial. Equipas de engenharia vão começar a trabalhar com protótipos da Stellantis já em 2022.

Artigo anteriorVelo-city 2021 Lisboa nomeada nos World Best Event Awards
Próximo artigoLisboa volta a debater ZER para a Avenida-Baixa-Chiado

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of