Paulo Catry
Paulo Catry
Investigador do ISPA/MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente

O Projeto Arenaria monitoriza as aves de toda a orla marinha, sejam arribas rochosas ou areais, com destaque para as aves limícolas: pilritos, rolas-do-mar, borrelhos, maçaricos, ostraceiros. Muitas destas aves ligam Portugal ao alto-ártico através das suas migrações. Através da sua monitorização aprendemos também coisas sobre o que se passa no topo do planeta, aí onde as mudanças climáticas se fazem sentir mais intensamente.

Arenaria: projeto de ciência cidadã nas praias de Portugal

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Embora o uso alargado do label “ciência cidadã” seja recente, desde pelo menos os anos 1960 que na Europa se faz monitorização da biodiversidade recorrendo ao contributo benévolo de cidadãos sem formação científica formal. Entre muitos tipos de projetos de ciência cidadã, em anos recentes ganharam balanço os que cativam pela sua simplicidade: basta tirar uma fotografia e fazer o upload para uma plataforma dedicada. 

Mesmo os projetos mais simples podem fazer avançar o conhecimento, mas geralmente, são aqueles que levam os participantes a contribuírem através de uma recolha estruturada e sistemática de dados que mais potenciam o uso proveitoso da informação obtida. Ademais, aqueles que exigem algum estudo e aprendizagem dos participantes, por exemplo na identificação de um conjunto de espécies, levam a um engajamento mais aprofundado e enriquecedor para o próprio participante.

O Projeto Arenaria iniciou-se há 12 anos. Resulta de uma parceria entre o MARE – ISPA, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. É um projeto que nunca contou com financiamentos dedicados e, portanto, que resulta essencialmente do entusiasmo dos diversos parceiros e dos seus voluntários. 

O Projeto Arenaria monitoriza as aves de toda a orla marinha, sejam arribas rochosas ou areais, com destaque para as aves limícolas: pilritos, rolas-do-mar, borrelhos, maçaricos, ostraceiros. Muitas destas aves ligam Portugal ao alto-ártico através das suas migrações. Através da sua monitorização aprendemos também coisas sobre o que se passa no topo do planeta, aí onde as mudanças climáticas se fazem sentir mais intensamente. 

Os resultados do projeto têm sido publicados em artigos científicos, contribuíram de forma decisiva para a realização do primeiro Atlas das Aves Marinhas de Portugal e contribuem para os compromissos nacionais, perante a União Europeia, de monitorização das aves de Portugal.

O Projeto Arenaria demonstrou que as aves que frequentam as nossas praias são negativamente afetadas pela crescente utilização humana durante o inverno e muitas populações mostram uma tendência negativa. Observar aves nas praias enquanto se contribui para o conhecimento científico é um excelente pretexto para uma visita invernal ao litoral, como já o descobriram as centenas de colaboradores benévolos e dedicados!

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