A Comissão Europeia apresentou em 2020 a Estratégia do Prado ao Prato. Trata-se de um conjunto de medidas que visam promover a sustentabilidade ambiental, social e económica. Nesta Estratégia, descrita como “ambiciosa”, a agricultura é a principal visada. Este setor primário é emissor de gases poluentes para a atmosfera, mas também tem um papel importante na retenção de elementos nocivos. 

Até 2030, pretende-se que os agricultores cumpram um conjunto de medidas que contribuirão para mitigar o efeito das alteações climáticas. Por exemplo, pretende-se reduzir em 50% a utilização de pesticidas químicos, reduzir as perdas de nutrientes em 50%, ao mesmo tempo que se garante a manutenção da fertilidade dos solos, reduzir em 50% as vendas de agentes antimicrobianos para animais de criação e de aquicultura até 2030 e a extensão da agricultura biológica a 25 % das terras agrícolas até 2030.

Agricultores portugueses sensíveis às medidas agroambientais

Os agricultores estão comprometidos com esta Estratégia, até porque já antes da mesma tinham dado passos no sentido de melhorar a sua prática agrícola. Portugal, particularmente, há muito que os empresários agrícolas implementam medidas mais amigas do ambiente. Um dos exemplos é a Herdade dos Grous, que tem apostado fortemente em medidas agroambientais.

Localizada no Alentejo, a Herdade dos Grous produz vinho, olival, pinhal, tem área de montado e pastagens permanentes. É nos vinhos que tem feito o maior trabalho para melhorar a pegada ecológica.

A estratégia de sustentabilidade da empresa traçou várias metas, tais como, até 2022, aumentar em 20% a quantidade de energia produzida através de energias renováveis, até 2023 diminuir o consumo de água para 1L água/1L vinho, e ainda este ano reduzir em 30% o uso de água na vinha e não ter resíduos encaminhados para o aterro. 

Reduzir a pegada por garrafa de vinho

Para alcançar esta e outras metas foi necessário primeiro fazer um cálculo da pegada de carbono e os resultados já são animadores. A pegada de Carbono da Herdade dos Grous é de 1,13 kg de CO2 (eq) por garrafa. A referência mundial situa-se entre 0,75 e 2,2 kg CO2 (eq), segundo o último estudo da faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. 

O engarrafamento é uma das áreas de todo o processo de produção e comercialização do vinho na qual já foram dados passos efetivos. Assim, num universo de 430.500 garrafas foi feita uma redução de 115 g/garrafa. O que permitiu reduzir aproximadamente em 50 toneladas de resíduos de vidro por ano e uma redução sensivelmente de 50 toneladas na emissão de CO2 (eq). De referir, que 100 g de uma garrafa de vidro emite cerca de 93,8 CO2 (eq) para a atmosfera.


Paralelamente, estão a ser tomadas outras medidas embalagens feitas com materiais mais ecológicos e sustentáveis. No campo promovem enrelvamento espontâneo, fizeram o restauro de galerias ripícolas em linhas de água temporárias e criaram bancos de promoção de polinizadores e auxiliares. 

Iniciativas que dentro de um a dois anos vão produzir resultados a favor do meio ambiente. 

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