A União Europeia (UE) quer ultrapassar o incómodo das pessoas terem de usar diferentes cabos USB para carregar os smartphones, tablets ou câmaras, tornando o USB-C o carregador comum para smartphones e outros dispositivos móveis. Dessa forma, se conseguiria reduzir o desperdício deste género de produtos que se tornam, com o tempo, resíduos eletrónicos.

Para conhecer mais pormenores sobre a proposta de um carregador comum, o Parlamento Europeu (PE) promoveu uma conversa com Anna Cavazzini, a presidente da Comissão da Proteção dos Consumidores.

Carregador comum: apelo com 10 anos…

“O Parlamento Europeu tem apelado nos últimos 10 anos a uma norma, de modo a que não precisemos mais de [usar] vários cabos, mas apenas um”, refere Anna Cavazzini. A responsável recorda que a Comissão Europeia tentou incentivar as empresas através de acordos voluntários, que funcionaram parcialmente. No entanto, nem todas as empresas concordaram e foi por isso que a Comissão propôs finalmente legislação para uma norma comum para os carregadores.

Anna Cavazzini, Presidente da Comissão da Proteção dos Consumidores do Parlamento Europeu (foto: União Europeia 2021/EP/Emilie Gomez)

O que significa para os consumidores?

A proposta tem duas partes: uma é uma norma comum para cabos e dispositivos, o que significa que estes seriam intercambiáveis no futuro. Isto é bom para os consumidores, pois eles poderão carregar os seus dispositivos com qualquer cabo.

A segunda parte é a “desagregação”. “Ao comprar um novo telefone, recebo muitas vezes e automaticamente um cabo novo”, indicou Cavazzini, acrescentando: “No futuro, os telefones e os dispositivos não serão mais vendidos automaticamente com cabos e isso reduzirá o desperdício eletrónico”. Isso significaria que os consumidores precisariam de comprar o cabo separadamente. Mas, como a maioria das pessoas já têm cabos, tal não deve acarretar custos elevados, acreditam os responsáveis europeus.

Para quando podemos esperar um carregador comum na UE?

Uma previsão otimista indica que as regras poderão entrar em vigor em 2024. Cavazzini espera que o Parlamento conclua o trabalho sobre a proposta e chegue a um acordo com o Conselho de Ministros, que legisla em conjunto com o PE, até ao final de 2022. Os países teriam então dois anos para implementar a lei.

Uma previsão otimista indica que as regras poderão entrar em vigor em 2024.

Embora o trabalho sobre a proposta não tenha começado oficialmente no Parlamento, alguns deputados já solicitaram a inclusão de todos os dispositivos. “A proposta da Comissão inclui muitos dispositivos, mas, por exemplo, não [tem] os e-readers”, referiu Cavazzini. Outros deputados afirmam que a legislação tem de ser à prova do futuro e, por exemplo, ter em conta os carregamentos sem fios.

De acordo com a eurodeputada, a indústria argumenta muitas vezes que legislação pode dificultar a inovação. “Eu não vejo isso”, contrapõe a eurodeputada que lembra que “a proposta aponta que se surgir uma nova norma que seja melhor do que o USB-C, poderemos adaptar as regras.”

Qual o volume dos resíduos eletrónicos?

Existem estimativas diferentes, mas um número que é frequentemente mencionado é de cerca de 1000 toneladas por ano. “Os resíduos eletrónicos são o fluxo de resíduos em mais rápido crescimento na UE. Se realmente quisermos implementar o Pacto Ecológico e reduzir o nosso uso dos recursos, precisamos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance”, frisou a responsável do PE.

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