Os sistemas de bike-sharing ou bicicletas partilhadas estão a chegar a cada vez mais cidades portuguesas, apresentando-se como uma alternativa sustentável e saudável a outros meios de transporte.

O recente evento Velo-city Lisboa 2021, que o Watts On acompanhou, abordou este tema, com os case studies apresentados na conferência a demonstrarem que, entre os vários benefícios da compartilha de bicicletas, está a melhoria da gestão do tráfego rodoviário, isto para além da mais evidente redução de poluição e melhoria da saúde individual.

Woman riding bike

Outra ideia, em jeito de semente, plantada na conferência é que a tremenda diversidade de bicicletas que existe (de acordo com a finalidade a que se destina) pode também ser convertida em negócios de partilha e aluguer.

Esses negócios de bike sharing podem colocar à disposição dos crescentes utilizadores os mais variados géneros de velocípedes, desde bicicletas convencionais a e-bikes, passando por bicicletas urbanas, bicicletas de carga para logística, bicicletas dobráveis para viagens intermodais, bicicletas familiares, bicicletas para pessoas com deficiência ou riquexós.

Considerando ainda a capacidade instalada de Portugal no fabrico de bicicletas, este mercado da bicicletas partilhadas constitui, igualmente, uma oportunidade para o país reforçar o seu estatuto de grande player mundial, na linha do projeto “Portugal Bike Value”.

Nesse contexto, quatro projetos com know how português aproveitaram o palco da última Velo-city para se mostrarem à Europa:

 

Projeto da CME de e-bikes partilhadas

A CME (empresa nacional com forte visibilidade no mercado, cuja vertente de negócio mais conhecida dos portugueses é a que se relaciona com os trabalhos que executa nas ruas em termos de instalações técnicas de água, esgotos ou telecomunicações) uniu-se à francesa B2eBike para trazer para o mercado nacional a proposta de partilha de bicicletas elétricas OOWI.

Este projeto de bicicletas partilháveis é outro bom exemplo que pode ser replicado noutras autarquias e zonas do país.

Estas bicicletas partilháveis, que equipam pneus à prova de furos, já podem, de resto, ser utilizadas nalguns municípios, mais concretamente na região do Douro Superior e do Parque Natural de Montesinho (integrado no projeto turístico “Raia Norte Bikes”), promovendo a sustentabilidade e mobilidade no em Vinhais, Varge – Aveleda (Bragança), Picote (Miranda do Douro), Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta, Torre de Moncorvo e Vila Nova de Foz Côa.

Na Velo-city Lisboa, a CME e a B2eBike apresentaram-se juntamente com a também portuguesa Tomi (desenvolve painéis interativos de informação urbana) com uma solução integrada de bike sharing que mostra a flexibilidade destes MUPi’s digitais de transmitirem as mais diversas notícias e informações úteis aos utentes e de até, inclusive, efetuarem marcações em serviços públicos para tratar de diferentes assuntos, desempenhando aqui a tecnologia a função de aproximar as cidades das pessoas que nelas vivem, bem no espírito de uma smart city.

 

Projeto da Siemens de partilha de e-bike

Yunex Traffic é a nova marca da Siemens Intelligent Traffic Systems, oferecendo um amplo portfólio de soluções para controlo e gestão de tráfego adaptável, automatização de estradas e túneis, bem como soluções inteligentes para V2X e portagens no mercado.

Neste enquadramento, sob a marca Yunex Traffic, a tecnológica alemã desenvolveu uma bicicleta elétrica partilhável, respetivas docas e software de operação e supervisão presente já em Lisboa e com engenharia portuguesa. Consiste num sistema de bicicletas partilhadas com conversão de clássica para e-bike.

 

➥ Projeto da Sonae MC de partilha de veículo de três rodas 


O Ghisallo é um projeto da Sonae MC, do CEiiA, da Universidade de Aveiro, VR Motors e Manuel Soares Gonçalves, co-financiado pelo Compete 2020, do Portugal 2020.

Consiste num triciclo elétrico com uma interface de comunicação assente numa App e pensada para poder ser utilizada como veículo de carga. As três rodas dão-lhe maior estabilidade e segurança, tendo potencial para ser usado como velocípede particular ou partilhado.

➥ Projeto do Politécnico de Leiria de uso de longa duração de bicicletas

O U-Bike é o sistema de bicicletas de assistência elétrica partilhadas que o Politécnico de Leiria introduziu, em junho de 2018, esrando no terreno em conjunto com o operador Bewegen, o qual assegura toda a manutenção de forma continuada. O seu carácter inovador desta iniciativa está no facto de se baseae numa utilização de veículos de longa duração, abrangendo as regiões de Leiria e Oeste.

As bicicletas elétricas – mais de duas centenas – estão colocadas em estações pelos campus universitários, residências de estudantes e infraetruturas das cidades de Leiria, Marinha Grande, Caldas da Rainha e Peniche, para oferecer o melhor serviço e experiência de utilização.

O projeto foi tornado realidade através de financiamento obtido pelo Portugal 2020, através do POSEUR.

Projetos europeus de partilha de bicicletas e de conhecimentos

Na Europa, são muitos os projetos de redes cicláveis e de bike sharing, reunindo interesses públicos e privados na construção de cidades mais verdes. O evento Velo-city Lisboa trouxe à capital portuguesa diferentes exemplos de iniciativas implementadas noutras latitudes que importa conhecer:

A Dutch Cycling Embassy (Holanda) reúne um conjuno vasto de organizações públicas e privadas dos Países Baixos que partilham os seus conhecimentos e experiência sobre a construção daquilo que apoia a cultura holandesa da bicicleta, para que mais cidades e países de todo o mundo possam experimentar as vantagens de ter os velocípedes como uma opção de transporte segura.

A Cycling Embassy of Denmark (Dinamarca) é encorajar a mobilidade em bicicleta em todo o mundo, partilhando o seu know-how na área do ciclismo. A rede criada representa profissionais de ciclismo de empresas privadas, autoridades locais e organizações não governamentais.

A Donkey Republic (Dinamarca) é uma startup de partilha de bicicleta nascida em Copenhaga, Dinamarca, que está presente em diferentes países e em mais de 60 cidades, entre as quais a portuguesa Póvoa do Varzim, segundo mostra o mapa interativo do site da empresa.

A Zoov (França) desenvolveu um sistema de partilha de bicicletas elétricas presente em 16 cidades, entee as quais Paris, Bordéus e Nice.

A Nextbike (Alemanha) estabeleceu uma plataforma de partilha de bicicletas como componente fundamental da mobilidade urbana em mais de 300 cidades em todo o mundo.

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