Dois dos três cientistas que ganharam o Prémio Nobel de Física esta terça-feira destacaram-se pelos seus trabalhos relacionados diretamente com o estudo das alterações climáticas.

Syukuro Manabe, do Japão, e Klaus Hasselmann, da Alemanha, foram agraciados pelo seu trabalho em “modelagem física do clima da Terra, quantificação da variabilidade e previsão confiável do aquecimento global”.

O terceiro vencedor do Nobel da Física foi para Giorgio Parisi, de Itália, por explicar a desordem nos sistemas físicos, desde aqueles tão pequenos quanto o interior de átomos até os do tamanho de um planeta. Parisi nasceu em 1948 em Roma. É professor em Sapienza Università di Roma.

Diante dos desafios da mudança climática, Hasselmann disse à Associated Press que “preferiria não haver aquecimento global e nenhum prémio Nobel”.

Por seu lado, Manabe observou numa entrevista que descobrir a física por trás das mudanças climáticas foi mais fácil do que fazer o mundo fazer algo a respeito disso.

O júri do Nobel salientou que Manabe, de 90 anos, e Hasselmann, de 89 anos, “estabeleceram a base de nosso conhecimento sobre o clima da Terra e como as ações humanas o influenciam.

Syukuro Manabe, um dos laureados com o Nobel da Física 2021, nasceu em 1931 em Shingu, Japão. Ele é meteorologista sénior na Princeton University, EUA. Foto: Markus Marcetic, The Royal Swedish Academy of Sciences

A partir da década de 1960, Manabe, agora baseado na Princeton University em New Jersey, criou os primeiros modelos climáticos que previam o que aconteceria com o globo à medida que o dióxido de carbono se acumulasse na atmosfera.

Durante décadas os cientistas mostraram que o dióxido de carbono retém o calor, contudo, o trabalho de Manabe colocou especificações e previsões nesse conhecimento geral, o que permitiu que os investigadores mostrassem como é que as mudanças climáticas vão piorar e com que rapidez, dependendo de quanta poluição de carbono é expelida.

Cerca de uma década depois, Hasselmann, do Instituto Max Planck de Meteorologia em Hamburgo, Alemanha, ajudou a explicar por que motivo os modelos climáticos podem ser confiáveis apesar da natureza aparentemente caótica do clima. Ele também desenvolveu formas de procurar sinais específicos da influência humana no clima.

Klaus Hasselmann, também premiado com o Prémio Nobel de Física de 2021, nasceu em Hamburgo, Alemanha. É professor do Instituto Max Planck de Meteorologia, Hamburgo, Alemanha. Foto: Hanna Lanz

Klaus Hasselmann desenvolveu métodos para distinguir entre causas naturais e humanas (impressões digitais) do aquecimento atmosférico.

Neste gráfico, vê-se a comparação entre mudanças na temperatura média em relação à média para 1901–1950 (°C).

© Johan Jarnestad/The Royal Swedish Academy of Sciences

Hasselmann apontou que o problema com as alterações climáticas é que elas existem numa escala de tempo tão grande que as pessoas têm dificuldade em compreendê-la.

“As pessoas tendem a negar o problema até que seja tarde demais”, disse Hasselman.

“Os modelos climáticos baseados na física tornaram possível prever a quantidade e o ritmo do aquecimento global, incluindo algumas das consequências como a subida do nível do mar, o aumento de chuvas extremas e furacões mais fortes décadas antes que pudessem ser observados. Klaus Hasselmann e Suki Manabe foram pioneiros nesta área e modelos pessoais para mim”, declarou o cientista climático alemão Stefan Rahmstorf.

“Agora estamos a testemunhar como as suas primeiras previsões estão a concretizar-se, uma após a outra”, diz Rahmstorf.

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