Na sequência dos resultados eleitorais do passado domingo, Carlos Moedas, em Lisboa, e Rui Moreira, no Porto, são os presidentes de câmara que vão governar os destinos das duas principais cidades do país até 2025, passando também pelos seus executivos a definição das políticas de mobilidade para estas duas importantes capitais de distrito.

Nenhum dos políticos obteve maioria absoluta: Moedas teve 34,26% dos votos e reuniu 7 mandatos na vereação contra dez da oposição; e Moreira teve 40,72% e fica com 6 mandatos no executivo contra sete da oposição.

Este facto faz com que os dois governantes tenham de fazer acordos e de encetar negociações em diferentes dossiers com as outras forças partidárias para implementarem as suas políticas.

Carlos Moedas (à esquerda) e Rui Moreira (à direita) a votarem no dia 26 de setembro. Fotos: Instagram

Ainda assim, vale a pena olhar para aquilo que Moedas e Moreira prometeram em matéria de mobilidade nos seus programas eleitorais para as suas respetivas cidades.

São ideias e medidas que os dois elencos executivos – que saem das eleições de 26 de setembro – irão procurar por em prática.

Mobilidade para a cidade do PORTO

mobilidade
Foto: amurca/Pixabay

• abertura do Terminal Intermodal de Campanhã
• requalificação dos terminais/interfaces do Hospital de São João e criação do interface do Pólo Universitário da Asprela
• requalificação do Terminal das Camélias
• criação da Rede Porto, que se consubstancia na implementação de um conjunto de novas linhas de proximidade em complemento e articulação com a rede de transporte público existente
• aceleração do processo de modernização das paragens de autocarro, melhorando as suas condições de conforto com particular ênfase na informação ao público
• criação de um serviço de transporte a pedido destinado à população mais idosa
• modernização das praças de Táxi
• aposta no incentivo à mobilidade em transportes públicos dos jovens até aos 18 anos de idade
• criação do Corredor de Autocarros de Alta Qualidade entre a Praça do Império e o Pólo Universitário do Campo Alegre, ligando a futura linha de BRT Boavista/ Império à futura linha de metro Boavista/Santo Ovídio;
• criação do Corredor de Autocarros de Alta Qualidade no eixo Damião de Góis/ Constituição
• promoção das ligações cicláveis intermunicipais, nomeadamente entre o Porto e Gondomar e Porto/S. Mamede
• consolidação das redes cicláveis internas da Cidade, nomeadamente na zona da Asprela
• continuidade à rede de percursos pedonais assistidos, concluindo o elevador do Palácio de Cristal e as obras de ligação nas Virtudes, sendo ainda objetivo ligar a Praça da Batalha à rede de transporte público em S. Bento por meios mecanizados
• desenvolvimento e aplicação do Plano de Logística Urbana sustentável do Porto
• criação do Observatório para a Logística Urbana
• implementação das Zonas de Acesso Automóvel Condicionado – ZAAC – em fase final de implementação nas zonas pedonais nomeadamente na Ribeira, Sé, Santa Catarina, Cedofeita, e Santo Ildefonso e perspetivando o alargamento em Miragaia e outras zonas da Cidade
• extensão das Zonas escolares a todos os estabelecimentos de ensino básico da Cidade
• alargamento rede de postos de carregamento de veículos elétricos
• implementação do novo Sistema de Gestão da Mobilidade
• implementação das 27 medidas identificadas para a VCI com vista a melhorar o seu funcionamento
• construção de uma rede de parques de estacionamento de proximidade, em zonas de forte pendor residencial, destinados exclusivamente a residentes
• adoção de um plano sistemático de correção da medida tática e de carácter provisório de instalação de balizas flexíveis na via e/ou dissuasores metálicos nos passeios, após observação de que foi cumprido o seu papel em termos de segurança (ausência de mortes por atropelamento).

Em síntese
5 ideias-chave de Moreira para o Porto

► Promoção das ligações cicláveis intermunicipais.
► Implementação das Zonas de Acesso Automóvel Condicionado – ZAAC.
► Alargamento da rede de postos de carregamento de veículos elétricos.
► Implementação de novas linhas de transportes públicos de proximidade.
► Construção de uma rede de parques de estacionamento de proximidade, em zonas de forte pendor residencial, destinados exclusivamente a residentes.

Mobilidade para a cidade de LISBOA

mobilidade
Foto: Steffen Zimmermann/Pixabay

• construir uma ciclovia contínua, alargada, com equipamento urbano e serviços de suporte adequados desde Algés até ao Parque das Nações;
• promover a construção de marinas nas margens do estuário;
• aumentar os pontos de amarração que permitam, pelo menos, triplicar o seu número;
• potenciar os desportos náuticos para utentes sem embarcação;
• apoiar o desenvolvimento de novas atividades, como por exemplo, as suportadas em barcos-casa (‘hauseboat’);
• extensão da Linha Vermelha do Metropolitano até Alcântara, com posterior prolongamento pela meia-encosta a Miraflores e Algés, onde se fará o interface com a Linha de Cascais;
• eliminação da barreira ferroviária entre a cidade e o rio, acabando com a linha de comboio de superfície entre Algés e o Cais do Sodré, acelerando a devolução gradual de toda essa área à ligação da cidade com o Tejo e a futura resolução do problema do Terminal de Contentores;
• transformar o Rio Tejo numa hidrovia metropolitana de largo espetro, promovendo uma rede de transportes fluviais, coletivos e individuais, incluindo táxis fluviais, ao longo de toda a frente ribeirinha, desde Algés até ao Parque das Nações;
• ligação da Linha de Cascais à Linha de Cintura e à nova estação de metro de Alcântara;
• extensão da ciclovia até ao rio, com reperfi¬lamento da Av. de Ceuta, como uma avenida urbana;
• transformar a Linha Circular e a futura Linha Amarela numa linha única em laço (Odivelas, Campo Grande, Rato, Cais do Sodré, Alameda, Campo Grande, Telheiras), para manter as ligações diretas (sem transbordo) de Odivelas, norte de Lisboa e Telheiras ao centro da cidade;
• construir mais e melhores parques dissuasores na periferia da cidade, evoluindo para uma tipologia mais atraente e mais multimodal, em articulação com os municípios limítrofes;
• realizar sem atrasos os projetos de interligação multimodal com os municípios limítrofes;
• assegurar parques multifuncionais de estacionamento para residentes em todos os bairros;
• otimizar a oferta de estacionamento automóvel à superfície;
• primeiros 20 minutos grátis no estacionamento (por dia), na cidade, e 50% de desconto nos restantes períodos, em todas as tarifas EMEL para residentes;
• criar mais espaço para bicicletas, motociclos, veículos partilhados, veículos elétricos e veículos de cargas e descargas;
• reforçar os postos de carregamento de veículos elétricos;
• desenvolver uma rede pedonal contínua, confortável e inclusiva;
• implementar um programa de segurança para a mobilidade suave (bicicletas, trotinetes, etc);
• implementar uma campanha de informação e envolvimento dos lisboetas na mobilidade ativa;
• redesenhar a rede ciclável de Lisboa com enfoque na segurança, no conforto e na funcionalidade para os ciclistas e os peões, eliminando ciclovias com problemas, como seja a da Almirante Reis e desenhando-se alternativas viáveis.
• melhoria disruptiva dos serviços da Carris, com segmentação e transporte a pedido, redefinição da rede, aumento de frequência e maior integração multimodal;
• introduzir o transporte coletivo gratuito para residentes menores de 18 anos, estudantes universitários, maiores de 65 anos, pessoas com defi¬ciência, desempregados e “passageiros verdes;
• acrescentar nos passes mensais as bicicletas Gira, promovendo a mobilidade porta-a-porta;
• promover a modernização do transporte por táxi, alargando as Praças, melhorando as condições operativas, nomeadamente de Segurança e Higiene, e potenciando a conversão elétrica da frota
• adotar novas políticas de trabalho nas instituições da CML, com impacto no padrão da mobilidade;
• promover junto dos principais empregadores novas políticas de mobilidade no trabalho para reduzir deslocações pendulares e picos nas horas de ponta.
• promover a mobilidade elétrica através de aumento de postos de carregamento e dos espaços e locais reservados e projetos inovadores;
• promover a mobilidade partilhada;
• acomodar o crescimento do transporte logístico e gerir os ciclos de cargas e descargas
• criar um Centro de Operações Integrado da Mobilidade em Lisboa.

Em síntese
5 ideias-chave de Moedas
para Lisboa
► Acabar com a linha de comboio de superfície entre Algés e o Cais do Sodré.
► Estacionamento grátis nos primeiros 20 minutos (por dia) na cidade e 50% de desconto nos restantes períodos, em todas as tarifas EMEL para residentes.
► Reforçar os postos de carregamento de veículos elétricos.
► Redesenhar a rede ciclável de Lisboa, eliminando ciclovias com problemas, como seja a da Almirante Reis.
► Transporte coletivo gratuito para residentes menores de 18 anos, estudantes universitários e maiores de 65 anos.

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