A Voltalia anunciou ter ganho o concurso do Ministério da Transição Ecológica de França para o projeto do parque de energia fotovoltaica Montclar, uma instalação de 3,75 megawatts cuja construção ocupará uma área de 4,2 hectares. 

Este parque está localizado em Côte Belle, que é conhecido como um dos únicos centros de esqui autogeridos em França e que beneficia também da maior exposição solar do país. 

Com 8.600 painéis fotovoltaicos, esta instalação fornecerá energia verde para mais de 2.500 habitantes.

Todavia, o mais inovador deste projeto Montclar é que contará com uma estrutura metálica inovadora, especialmente adaptada ao contexto montanhoso e a locais com declives acentuados, que abrigará módulos solares de baixo carbono e alto desempenho.

O projeto tem parcerias com várias instituições científicas francesas de renome, como o CEA, que apoiará a Voltalia no estudo dos ganhos energéticos com as inovações implantadas ou a escola MINES ParisTech, que estudará os benefícios ambientais da instalação solar ao longo de seu ciclo de vida.

Combinar produção fotovoltaica e atividade agrícola ou pecuária

Relativamente às instalações fotovoltaicas da Voltalia, a empresa tem apostado em explorações que combinem a produção fotovoltaica com a atividade agrícola ou pecuária, partilhando o uso do mesmo terreno.

A ideia – aponta a empresa – é, deste modo, “ajudar a preservar e fortalecer a economia agrícola da região, através do desenvolvimento de soluções agrivoltaicas em campo aberto”.

A atividade agrícola fica localizada sob os painéis solares, que serão colocados em estruturas adaptadas para evitar interferir na passagem das máquinas agrícolas.

Os painéis solares seguem a trajetória do sol para otimizar a produção agrícola e também podem ser inclinados para permitir a passagem da luz ou para proteger as lavouras de eventos climáticos extremos (queimaduras solares, granizo ou geada da primavera).

Os projetos agrivoltaicos visam também reduzir as necessidades de água (redução da evapotranspiração do solo) e os custos de irrigação por meio do acoplamento da estrutura a um sistema de irrigação.

“Até à data, tratavam-se de projetos inovadores com dimensão exclusivamente experimental, implantados em terrenos dedicados à viticultura, arboricultura, horticultura comercial e horticultura”, realça a empresa.

Alguns exemplos desta tipologia de projetos

Cabanon
Uma instalação agrivoltaica de três megawatts localizada em Saint-Etienne-du-Grès, na região sul de França, que está em funcionamento desde março de 2021. É uma atividade de jardinagem comercial que se alia à produção fotovoltaica.

Projeto AgriSOL
Os projetos AgriSOL também combinam a produção fotovoltaica com a atividade agrícola (principalmente pecuária, forragem e cereais), mas com painéis solares posicionados na altura padrão para a ovinocultura. “O desenvolvimento de uma instalação solar AgriSOL integra a dimensão agrícola numa abordagem sistémica. A instalação solar, localizada em área agrícola, deve ser parte integrante da exploração, portanto, a dimensão agrícola é inserida logo nas primeiras fases de desenvolvimento do projeto, a fim de adaptar a instalação solar ao sistema de produção existente”, explica a Voltalia.

Atividade de pastoreio: a central elétrica Canadel
O parque solar Canadel está localizado em Brignoles e foi contratualizado em junho de 2018, este parque tem uma capacidade de 10,4 megawatts. Um acordo com um pastor local permitiu o uso mútuo da terra durante a operação do parque.

Atividades de apicultura: a central Castellet II
O parque solar Castellet II está localizado em Castellet e foi contratualizado em junho de 2017, tendo uma capacidade de 3,8 megawatts. Para este projeto foram instaladas cerca de vinte colmeias no local do parque, o que ajuda a prevenir a extinção de abelhas em França. Este acordo também permite que o apicultor proteja as suas colmeias contra danos e vandalismo, graças às cercas do parque.

E no futuro?

A Voltalia declata estar empenhada em acelerar o desenvolvimento de projetos em consulta direta com os agricultores, a fim de adaptar os projetos solares às explorações existentes (pecuária, forragem, produção de cereais, por exemplo) e assim promover a sinergia entre a produção agrícola e a produção de energia renovável.

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