Decorreu esta quarta-feira, na Guarda, a conferência “O automóvel elétrico no combate às alterações climáticas“.

A iniciativa realizou-se na Sala 1 dos cinemas do do Centro Comercial La Vie onde tem estado exposta, durante o mês de agosto, a exposição “Onda de Lixo Oceânico”, que simboliza o compromisso ambiental da Volvo.

Promovida pela marca sueca e pelo Clube Escape Livre, da Guarda, a conferência contou com vários oradores, entre os quais Eduardo Rêgo, da Loving The Planet e voz inconfundível do programa BBC Vida Selvagem; Luís Mira Amaral, antigo Ministro da Indústria e Energia; Pedro Isidoro, Vice-Presidente da UVE – Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos; e Aira de Mello, Consumer Experience Director da Volvo Car Portugal.

Guarda
Da esquerda para a direita: Luís Mira Amaral, Pedro Isidoro, Aira de Mello e Eduardo Rêgo

Na plateia, entre o público interessado destacavam-se as presenças do Vice-Presidente da Câmara da Guarda, Victor Amaral, do Presidente da Junta de Freguesia da Guarda, João Prata, do Capitão Óscar Capelo Chefe do SEPNA do Comando Territorial da Guarda, João Gonçalves, diretor do La Vie, Subcomissário Luís Neves da PSP, Carlos Gonçalves, Presidente da Associação de Bombeiros da Guarda, Manuel Salgado, vice-presidente do IPG, e Catarina Moura, Coordenadora da Associação Territórios do Côa.

 “O derradeiro teste de segurança é cuidar do nosso Planeta” – Aira de Mello, Volvo

Intitulada “Parte do problema, parte da solução”, a apresentação da Volvo debruçou-se sobre o compromisso ambiental da marca, que recentemente colocou a sustentabilidade no mesmo patamar da segurança.

“Após ter sido a primeira a anunciar o fim dos motores a combustão, a marca sueca partilhou com o mundo o seu objetivo – comercializar veículos exclusivamente elétricos a partir de 2030 e ser uma empresa com impacto climático neutro em 2040. A Volvo viu o seu plano de sustentabilidade reconhecido pelas Nações Unidas e, entre inúmeras iniciativas, monitoriza de A a Z o processo de fabrico das baterias instaladas nos seus automóveis para que a mudança não seja realizada de forma inconsciente, perigando a natureza ou as pessoas”, aponta o fabricante.

“Acredito que quem nos ouviu não ficou indiferente ao tema, procurará mais informação, dará mais atenção ao momento que vivemos e desafios para um futuro que é já muito presente. Estas sessões e tudo o que a Volvo está a fazer neste âmbito pretende isso mesmo – despertar consciências e sensibilidades para que, enquanto é tempo possamos fazer algo que assegure uma vida mais sustentável”, refere Aira de Mello, da Volvo Car Portugal.

“Carta de amor” ao Planeta

Eduardo Rêgo, voz incontornável dos programas Vida Selvagem em Portugal e fundador da Loving the Planet, apresentou a sua carta de amor ao Planeta – “Tenho o privilégio de narrar a natureza e o nosso mundo há muitos anos, mas nunca foi tão preciso como agora estarmos ligados a ela”,  começou por dizer.

“Fundei a Loving the Planet, no desejo firme de devolver ao ser humano a consciência dos antepassados” – continuou – “Com a mobilidade elétrica, estamos a começar a segunda revolução industrial, muito mais difícil que a primeira”, referiu Eduardo Rêgo. 

Afirmando que é imperativo escolher carros elétricos de fabricantes que assumam também o compromisso de sustentabilidade não só no carro, mas em todo o processo, das fábricas aos escritórios e a todo o processo de construção.

Batismo elétrico promoivido pela UVE

Já Pedro Isidoro, da UVE, apresentou a Associação, que conta já com mais de 750 associados, sem fins lucrativos, mas que procura promover a mobilidade elétrica no seu todo, articulando utilizadores com diversas entidades, de privados ao poder político.

A maior atividade da UVE é o ENVE, o Encontro Nacional de Veículos Elétricos, “um evento que tem como principal objetivo fazer o batismo elétrico, ou seja, colocar as pessoas pela primeira vez dentro de um veículo elétrico”, conta Pedro Isidoro que aproveitou a ocasião para apresentar os números recolhidos pela associação sobre automóveis elétricos e das redes públicas e privadas de carregamentos.

Baseado na sua experiência de utilizador, Pedro Isidoro indicou que “no cenário mais otimista, carregar o carro elétrico em casa em tarifa bi-horária, o custo de percorrer 100 quilómetros com um carro elétrico pode ser até nove vezes inferior a um a combustão”.

“Mudança não vai ser tão rápida”, diz Mira Amaral

Luís Mira Amaral, ex-Ministro da Indústria e da Energia, aproveitou a ocasião para comentar que apesar de saber que o mundo caminha para deixar os combustíveis fósseis na mobilidade “essa mudança não vai ser tão rápida nem é a solução milagrosa do problema global”. Sem entrar em alarmismos ambientais, Luís Mira Amaral falou das quatro tecnologias que estão neste momento a ser trabalhadas na mobilidade elétrica: “Os carros elétricos a bateria que já estão hoje na estrada, os carros a hidrogénio que iniciaram recentemente a sua jornada, os veículos de combustão interna alimentados a hidrogénio em substituição dos combustíveis fósseis e veículos alimentados a combustíveis sintéticos, resultantes da mistura de hidrogénio com CO2 atmosférico”, estas últimas que ainda estão em desenvolvimento.

Seguiu-se um debate que concluiu que apesar da tecnologia atual das baterias elétricas poderá não ser a que irá vingar no futuro, é a possível agora para que hoje se possa começar a inverter a tendência da dependência dos combustíveis fósseis.

A principal vitória para o Planeta será a mudança de mentalidades e comportamentos, que irá fazer com que todos remem no sentido de procurar soluções sustentáveis de mobilidade, começando a agir já e adotando melhores soluções e tecnologias à medida que for possível. 

 

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