A mais recente análise do grupo de reflexão e investigação em energia EMBER em conjunto com a associação Zero para o caso de Portugal, revela que, pela primeira vez, os painéis de energia solar produziram um décimo da eletricidade da UE-27 durante os meses de pico de junho e julho deste ano.

Indica a associação Zero que os painéis solares produziram um recorde de 10% da eletricidade da UE (39 TWh) em junho-julho de 2021, comparativamente com os 28 TWh no mesmo período em 2018.

Oito países da UE estabeleceram mesmo um novo recorde na quota de produção de energia solar durante o pico do verão deste ano: Estónia, Alemanha, Hungria, Lituânia, Holanda, Polónia, Portugal e Espanha.

Novo recorde em Portugal, com o solar a assegurar 6% da produção total de eletricidade.

Sete países da UE produziram, inclusive, mais de um décimo da sua eletricidade a partir de painéis solares em junho-julho de 2021, com a Holanda (17%), Alemanha (17%), Espanha (16%), Grécia (13%) e Itália (13%), a assumirem a liderança.

Hungria foi mais longe

A Hungria foi mais longe, quadruplicando a participação na energia solar desde junho-julho de 2018, enquanto a Holanda e a Espanha duplicaram. A Estónia e a Polónia transitaram de praticamente zero em energia solar, em 2018, para 10% e 5%, respetivamente, em junho-julho de 2021.

Pela primeira vez, a energia solar superou a do carvão na Hungria no verão de 2021, um marco que já havia sido alcançado no ano anterior na Grécia e em Portugal, e há vários anos na Holanda, Itália, França, Espanha, Áustria e Bélgica.

Portugal triplicou a percentagem de contributo da eletricidade proveniente de origem solar entre 2018 e 2021.

A Hungria assistiu a um aumento da energia solar de 3% da eletricidade produzida em junho-julho de 2018 para 12% neste verão. Em comparação, a eletricidade produzida a partir do carvão do na Hungria caiu de 17% em junho-julho de 2018 para apenas 10% neste verão.

De acordo com a análise efetuada pela EMBER, no caso de Portugal, em 2018 a produção de eletricidade a partir de fonte solar atingiu 176 GWh no total de junho e julho em 2018, enquanto este ano atingiu 392 GWh.

Porém, em termos de percentagem, enquanto em 2018 a fração de produção solar foi de 2%, este ano atingiu já 6%, isto é três vezes mais.

Produção solar ainda inferior à do carvão

Apesar dos ganhos recentes, os ambientalistas da Zero fazem notar que a produção de eletricidade na União Europeia a partir de painéis solares ainda é inferior à das centrais a carvão, que geraram 14% da eletricidade da UE em junho-julho de 2021 (58 TWh).

O crescimento anual da produção solar precisa de duplicar para cumprir as metas de emissões da UE para 2030, indica a associação Zero.

“A UE-27 tem adicionado cerca de 14 TWh de produção de energia solar em cada ano, em média, nos últimos dois anos. No entanto, e de acordo com a Comissão Europeia, o crescimento anual na próxima década deve duplicar para os 30 TWh, a fim de cumprir com as novas metas climáticas da UE para 2030”, apontam os ambientalistas.

Na perspetiva da Zero, o mercado solar está preparado para suportar o crescimento necessário: “Produzir eletricidade a partir de novos painéis solares custa agora metade do que produzi-la nas centrais de queima de combustíveis fósseis existentes nos principais mercados, incluindo Alemanha, Reino Unido, Itália, França e Espanha”.

“O custo nivelado médio global de eletricidade (LCOEs) para energia solar fotovoltaica em escala de utilidade colapsou de $381 / MWh USD em 2010 para $57 / MWh em 2020”, clarifica a associação Zero.

“A Europa apresentou um verão recorde de energia solar, mas ainda não aproveitou todo o seu potencial. O custo da energia solar caiu na última década e estamos a presenciar os primeiros sinais da revolução solar da Europa em países como Espanha, Holanda, Hungria e até mesmo na Polónia, que ainda aposta fortemente na energia a carvão. Contudo, ainda há um longo caminho a percorrer antes que a energia solar forneça mais energia do que os combustíveis fósseis, mesmo no auge do sol de verão na Europa. Os eventos climáticos extremos, em toda a Europa neste verão, deram um alerta urgente aos governos que agora devem transformar as metas climáticas em ações climáticas, impulsionando o arranque da energia solar” –  Charles Moore, Líder do EMBER Europa.

“Apesar dos elevados preços de eletricidade, serão as renováveis no médio prazo que assegurarão os menores custos para os consumidores. A expansão do solar é indispensável, devendo no entanto respeitar-se princípios de sustentabilidade no que respeita às áreas e locais selecionados no que respeita às grandes centrais que estão previstas e/ou em implementação. Com uma menor capacidade das fontes hídrica e eólica durante o verão, é fundamental que o solar ocupe uma percentagem muito maior da energia primária associada à produção de eletricidade em Portugal” – Francisco Ferreira, Presidente da ZERO.

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