A ilha da Berlenga é uma área ambiental protegida classificada como reserva natural da UNESCO. Até abril de 2020, o abastecimento de energia elétrica à ilha da Berlenga, isolada da rede elétrica de Portugal Continental, era efetuado por três geradores a gasóleo, com funcionamento alternado.

Para o abastecimento destes motores eram transportados para a ilha, anualmente, por barco, cerca de 15.000 litros de combustível.

Este regime de abastecimento implicava um risco ambiental elevado (associado ao transporte marítimo do combustível para a ilha), poluição do ar (estimam-se emissões anuais de cerca de 40 toneladas de CO2) e sonora.

Substituição da produção a gasóleo

É neste contexto que, há cerca de um ano, numa parceria entre a E-REDES (na altura EDP Distribuição) e a Câmara Municipal de Peniche é lançado o projeto “Berlenga Sustentável”, com o objetivo de providenciar uma alternativa de fornecimento de energia elétrica sustentável de longo prazo, substituindo a produção Diesel por fontes de energia renovável.

Cerca de um ano depois do projeto ter sido oficialmente inaugurado (a inauguração aconteceu em 29 de julho de 2020), o Watts On foi querer conhecer junto da E-REDES os pormenores da instalação e os ganhos energéticos e ambientais deste projeto que pode ser visto como exemplar.

Maiores desafios da instalação

Lembra a E-REDES que no decorrer deste projeto, os maiores desafios apresentados relacionaram-se com o transporte marítimo de materiais, onde as condições do mar algumas vezes obrigaram a paragens no trabalho.

O transporte de materiais dentro da própria ilha representou outro desafio por si só, nomeadamente na deslocação dos geradores presentes na ilha, tendo para este efeito a E-REDES contado com o apoio da Força Aérea Portuguesa.

Força Aérea Portuguesa transportou os geradores

Em abril de 2020, conclui-se a instalação do sistema, composto por: 70 kWp de geração fotovoltaica; 150 kWh de baterias; um gerador de emergência e inversores, sistema de controlo e monitorização remota.

“Com a instalação dos 70 kWp de geração renovável fotovoltaica e de 150 kWh de baterias, foi possível reduzir drasticamente a dependência da ilha nos geradores com recurso a gasóleo, apenas se mantendo um gerador para atuação em situações pontuais e de emergência”, aponta a E-REDES.

Produção renovável da ilha até à data: 54 MWh

A mudança dos geradores Diesel para um sistema de geração fotovoltaica fez com que a produção renovável da ilha até à data tenha sido de 54 MWh, “o que, no funcionamento anterior, implicaria o consumo de 17400 litros de Diesel correspondendo à emissão de aproximadamente 45 toneladas de CO2. As baterias permitem suprir as necessidades de consumo fora das horas de sol e em dias de menor incidência solar”, refere a empresa.

“Depois da instalação do sistema, um dos principais objetivos da E-REDES é realizar estudos de consumo na ilha e adotar medidas de eficiência energética e de desfasamento de horário de cargas, de modo a tirar o maior proveito da produção solar ao longo do dia”, indica a E-REDES, empresa responsável no país pela gestão das redes de alta e média tensão, cujo concedente é o Estado, e de baixa tensão, através das concessões municipais.

O projeto “Berlenga Sustentável” representou um investimento de cerca de 350 mil euros.

“No de ano de 2020, o consumo da ilha foi reduzido devido a circunstâncias externas como o COVID-19 (diminuindo a deslocação de turistas) e o facto de o único restaurante da ilha (e responsável por mais de 50% do consumo) ter estado fechado para reabilitações, fazendo com que esse ano não fosse tomado como base para estudos de consumo. O Verão de 2021 já está a ter um funcionamento e consumo mais típicos, o que nos permite começar a avaliar as cargas de maior dimensão na ilha”, apontam os responsáveis da empresa.

Aponta a gestora das redes de distribuição de energia que “este projeto tem sido para E-REDES um caso de sucesso e de extrema relevância, principalmente por se desenvolver num local como a Ilha da Berlenga, um local isolado, detentor de um património natural riquíssimo e onde se pretende compatibilizar, na medida do possível, o usufruto humano e a preservação dos ecossistemas”.

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