Um argumento frequentemente levantado contra a transição para os veículos 100% elétricos é a afirmação de que, contabilizados todos os aspetos, os BEV (Battery Electric Vehicles) não são muito mais limpos do que as viaturas equipadas com motores de combustão interna.

A lógica desta argumentação é de que, depois de se levar em conta a produção das bateria e da geração de eletricidade, a economia de emissões dos veículos elétricos é mínima, na melhor das hipóteses.

Emissões comparadas durante o ciclo de vida

Contudo, estudar a validade deste argumento, o Conselho Internacional de Transporte Limpo (International Council on Clean Transportation – ICCT) publicou um artigo neste mês em que comparou as emissões de gases de efeito estufa do ciclo de vida de motores a combustão com as dos automóveis 100% elétricos de passageiros, SUV imcluídos.

Ponderado tudo – emissões associadas ao fabrico, manutenção, consumo de combustível e produção de combustível/eletricidade de veículos e baterias -, o estudo conclui que os modelos BEV, de fato, reduzem as emissões de forma significativa, mesmo em países onde o peso dos combustíveis fósseis no mix energético ainda é elevado e em nações em que a transição para as energias renováveis ​​na mistura de eletricidade ainda está a dar os primeiros passos.

“Mesmo para a Índia e a China, que ainda dependem fortemente da energia do carvão, os benefícios do ciclo de vida do BEV estão presentes hoje”, declara Peter Mock, diretor do ICCT para a Europa.

Diferenças favoráveis a veículos elétricos

Conforme ilustrado pelo gráfico, as emissões ao longo da vida útil dos BEV médios hoje já são menores do que os veículos a gasolina com as diferenças comparativas a variarem entre 66%-69% na Europa, 60%-68% nos Estados Unidos, 37%-45% na China e 19%-34% na Índia.

Fonte: ICCT. Elaboração de gráfico Watts On

Além disso, como a mistura de eletricidade continua a descarbonizar-se, a diferença de emissões ao nível do ciclo de vida entre os BEV e os veículos a gasolina aumenta substancialmente quando se consideram os modelos automóveis de segmento médio com previsão de lançamento em 2030: aumento para 74%-77% na Europa, 62%-76% nos Estados Unidos, 48%-64% na China e 30%-56% na Índia.

O gráfico em baixo é o original que partilhamos também:

Fonte: ICCT. Ciclo de vida dos veículos de segmento médio com motores de combustão interna e BEV em 2021 e projetados para 2030, na Europa, EUA, China e Índia. As barras verticais indicam a diferença entre o desenvolvimento do mix de energia de acordo com as políticas atuais (os valores mais elevados) e aquilo que é necessário para se estar alinhado com o Acordo de Paris.

O relatório conclui ainda que os veículos elétricos a bateria movidos por eletricidade renovável e os veículos elétricos a célula de combustível movidos por hidrogénio verde, são as únicas tecnologias capazes de alcançar a redução de emissões no transporte rodoviário global necessária para cumprir as metas estabelecidas no Acordo de Paris.

Híbridos e híbridos plug-in, constata o relatório, podem ser usados ​​para reduzir o consumo de combustível durante a etap de transição em que nos encontramos, “mas nenhum deles fornece a magnitude da redução nas emissões de gases de efeito estufa necessária a longo prazo”.

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