Os ralis de regularidade são provas de precisão, e não de velocidade. Nelas, os participantes têm de realizar um percurso e Provas Especiais de Classificação em Regularidade, devendo cumprir médias até 60 km/h, ao segundo ou décima de segundo. Habitualmente, ouvimos falar de Ralis de Regularidade em veículos históricos, mas nada invalida que possam ser disputados com outro tipo de veículos.

Nestas provas, disputadas com automóveis 100% elétricos e sem qualquer preparação especial, os participantes podem usar os carros do dia-a-dia, eventualmente até acabados de sair do stand. Era este o espírito dos ralis nos anos 60 e 70, que foi ultrapassado por questões de segurança, mas que neste tipo de provas pode ser recuperado.

As provas de regularidade ganharam muita popularidade em Portugal, a partir dos anos 50.

O campeonato nacional

Este ano realiza-se o 1º Campeonato de Portugal de Novas Energias (CPNE) que consiste em 4 provas realizadas na modalidade de regularidade. 

A Prio e a Renault associaram-se no Prio Renault Eco Team, que conta ainda com o apoio da Mobi Cascais, Edgeline Arquitetos e do Watts On. As equipas, Nuno Serrano / Alexandre Berardo e Eduardo Carpinteiro Albino / João Fernandes, que têm muita experiência em provas de regularidade, tentarão conquistar o título no primeiro CPNE.

Depois de disputada a 1ª prova, o Oeiras Eco Rally, Nuno Serrano e Alexandre Berardo ocupam a primeira posição do CPNE, enquanto Eduardo Carpinteiro Albino e João Fernandes ocupam o 6º lugar.

A diferença para os ralis de regularidade com clássicos

Nuno Serrano afirma: “Gostaria de salientar em primeiro lugar as semelhanças: ambos têm chassis, quatro rodas, direção, suspensão, travões e, claro, motor, pelo que se conduzem da mesma forma. As diferenças encontram-se, sobretudo, no peso das baterias e nas características do motor elétrico, que disponibiliza o binário máximo logo nas primeiras rotações. Na prática e de forma geral, os clássicos são veículos leves, com sonoridade entusiasmante e aquele cheiro a gasolina inebriante, enquanto os elétricos são veículos mais pesados, embora com baixo centro de gravidade, mas muito rápidos em aceleração. Ambos são muito agradáveis de conduzir”. 

Para o outro piloto da equipa, Eduardo Carpinteiro Albino: “Disputar regularidades com o Renault Zoe é muito divertido, porque é um automóvel que recupera muito depressa, mas temos de nos adaptar à sua condução, que é bastante diferente do que estamos habituados. É muito rápido, mas quando deixamos de acelerar, começa a travar para regenerar as baterias, o que se pode tornar um problema se não estivermos a contar com esta reação. Para a primeira prova treinámos bastante para ficar à vontade com a condução do Zoe e, embora tenhamos tido problemas com o nevoeiro em Sintra, no segundo dia, conseguimos ficar a duas décimas de segundo do vencedor da prova, o que demonstra que é muito importante treinar e dominar o Renault Zoe.” 

Os principais desafios da navegação

Para Alexandre Berardo, navegador no Prio Renault Eco Team e líder do CPNE: “O principal desafio na navegação de viaturas elétricas, quando comparado com as provas realizadas com viaturas clássicas, é a ausência de barulho de motor. Nas viaturas a combustão temos a perceção da velocidade pelo som do motor combinado com a relação de caixa de velocidades, enquanto que nos elétricos nada disso acontece. Este aspeto requer uma boa dose de habituação e treino da equipa. Tirando esta “novidade”, diria que os restantes aspetos relacionados com a navegação são idênticos aos ralis de regularidade com viaturas históricas. Os equipamentos de medição de distância e média são os mesmos, assim como o modelo de Roadbook utilizado pelas organizações”

João Fernandes, também ele navegador no Prio Renault Eco Team acrescenta: “A principal diferença é a idade dos automóveis. Os elétricos, por serem automóveis mais recentes, dispõem de todas as comodidades que um clássico não possuí, fazendo com que tudo se passe de forma mais tranquila. Se nos clássicos é apreciada a sua utilização porque as provas são disputadas o mais à época possível, que acarreta muito tempo e custos de restauro, nos elétricos a grande vantagem é as provas serem efetuadas em veículos que podem ser adquiridos no mesmo dia em qualquer concessionário, tal como acontece com os Renault Zoe com que realizamos o CPNE”.

A próxima prova do CPNE será o Eco Race Proença-a-Nova, que se realizará nos dias 24 e 25 de julho, estando o Prio Renault Eco Team presente com as suas duas equipas: Nuno Serrano / Alexandre Berardo e Eduardo Carpinteiro Albino / João Fernandes, ambas em Renault Zoe 50

O trabalho de navegação e de colaboração entre piloto e navegador são decisivos para o sucesso.

As fotos que ilustram este artigo foram cedidas pela Organização do Oeiras Eco Rally e são da autoria de Bernardo Lúcio. Foto histórica do Arquivo das Edições Vintage.

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