Os investigadores do polo da Madeira do MARE (MARE-Madeira, ARDITI – Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação, Tecnologia e Inovação), João Canning-Clode e João Gama Monteiro, participaram num estudo publicado na revista Nature Sustainability, que mostra que reduzir a poluição do oceano requer maior apoio, integração e decisões políticas criativas, já que a maioria das soluções existentes nunca vai além do estágio de desenvolvimento.

O estudo foi coordenado por Nikoleta Bellou, do Helmholtz-Zentrum Hereon, e contou ainda com a colaboração do National Research Council of Italy, do Marine Environmental Sciences Centre, do National Technical University of Athens, do Smithsonian Institution, e da Maritime Robotics. Os elementos da equipa: Nikoleta Bellou, Camilo A. Arrieta-Giron, João Canning-Clode, João Monteiro, Chiara Gambardella, Konstantinos Karantzalos, Stephanie Kemna e Carsten Lemmen.

A investigação, que aborda a poluição marinha, faz uma compilação de várias soluções para prevenir, monitorizar e limpar o lixo marinho a uma escala global.

Todas as categorias exploradas

A equipa explorou todas as categorias possíveis, desde projetos de crowdfunding, artigos científicos e bases de dados.

Foram estudadas perto de 200 soluções de combate à poluição dos oceanos, desde o uso de drones, robots, correias transportadoras, redes, bombas ou filtros, dependendo se operam em áreas costeiras até no mar profundo.

“Até agora, têm sido muito usadas abordagens tecnológicas semelhantes, mas há indicadores de que a próxima geração dependerá cada vez mais de uma ampla variedade de soluções. Cada vez mais integrarão as máquinas, a robótica e a automação, análises de ‘big data’ e modelação”, refere o MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente.

Embora a comunidade científica pareça concentrar-se principalmente na monitorização e as ONG enfatizarem principalmente a prevenção, a maioria das soluções de limpeza resulta da cooperação de diferentes atores, afirma ainda o estudo.

Raramente implementado…

Ainda assim, “a maioria dos projetos nunca vai além do estágio de desenvolvimento”, conclui a investigação: “Pouquíssimas soluções tornaram-se numa realidade ou foram lançadas para o mercado”.

Esta análise é a primeira a documentar uma grande parte das soluções tecnológicas existentes e dos métodos com vista à prevenção, monitorização e limpeza com uma abordagem inovadora.

Os autores do estudo apontam para a necessidade de superar o estágio de planeamento e pensar nas questões para as finalizar. “A integração de soluções nas diretrizes políticas deve ser promovida politicamente para estabelecer uma indústria futura”, refere Nikoleta Bellou, coordenadora do trabalho.

Esta equipa internacional explica agora que reduzir a poluição do oceano requer maior apoio, integração e decisões políticas criativas.

“As garrafas de plástico à deriva no mar, os sacos de plástico presentes em estômagos de tartarugas, e mais recentemente máscaras para prevenir a COVID-19 encontradas em muitas praias: são algumas das imagens desprezíveis de ver, assim como todas as outras que demonstram a contaminação dos nossos oceanos, questões fundamentais e urgentes a despertar na consciência pública”, apontam os investigadores.

“Muitas pessoas têm uma conexão com o mar. Pensam na poluição marinha como um ataque a um lugar que querem bem”, declara Nikoleta Bellou.

Sabia que…
… entre 1990 e 2015 estima-se que tenham entrado nos oceanos cerca de 100 milhões de toneladas métricas de plástico?

Na agenda política

O estudo aborda os limites das soluções existentes, bem como os desafios de desenvolver novas soluções. Também faz recomendações para a agenda política.

Além de cooperações internacionais entre investigadores, departamentos e institutos ambientais nacionais, os investigadores recomendam a definição de padrões para cada solução, como avaliações com base no respetivo tamanho, eficácia e pegada ambiental compatível.

Tal permitirá a criação de novos programas de financiamento que desenvolvam ainda mais as soluções existentes e novas, com o auxílio de um banco de dados global, defendem os autores do estudo.

“Esta é uma forma de incentivar os investigadores e também os responsáveis pelas decisões políticas a criar uma abordagem sustentável para controlar o lixo marinho. Queremos deixar os oceanos limpos para as gerações futuras”, diz Nikoleta Bellou.

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