Da esquerda para a direita: Ursula Von Der Leyen (Presidente da Comissão Europeia) e Charles Michel (Presidente do Conselho Europeu)

Do ponto de vista climático, industrial e do comprador, os veículos ligeiros elétricos puros, de passageiros e de mercadorias, são a tecnologia do futuro. Mas estão a União Europeia (UE) e os Estados Membros dispostos a decretar que estes veículos representarão 100% das vendas até 2035? E as famílias e as micro e pequenas e empresas, nas cidades e província, terão possibilidade de adquirir estes automóveis?

Os ambientalistas da associação Zero referem que, para se conseguir um sim a estas questões, é indispensável a UE adotar um pacote de medidas adequado.

Entre essas medidas contam-se a revisão das normas de emissões de dióxido de carbono que os futuros novos automóveis terão de obedecer e aos apoios para permitir que os consumidores acedam aos automóveis elétricos.

Normas de CO2 de veículos

Na perspetiva da Zero, as normas das emissões de CO2 (curva cinzento-escura no gráfico mais em baixo), que serão revistas neste mês de julho estão totalmente desalinhadas com o mercado e, portanto, “não estão a estimular os investimentos necessários para que a indústria de automóveis elétricos cresça o suficiente”.

De acordo com um estudo da autoria da BloombergNEF para a Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E), para ser possível um mercado composto unicamente por automóveis 100% elétricos em 2035, os novos automóveis vendidos na Europa em 2025 terão de emitir -30% de CO2, em 2027 -45%, e em 2030 cerca de -80%.

“Aumentar as exigências nas normas que entrarão em vigor em 2030 não chega, pois os construtores só farão os investimentos necessários para o seu cumprimento nos últimos anos da presente década, o que é tarde demais. Ou seja, é necessário rever em alta as exigências normativas de curto e médio prazo na UE”, declara a associação Zero.

A União Europeia está presentemente a preparar um extenso pacote de legislação sobre o clima a publicar em julho

No caso dos ligeiros de mercadorias, sujeitos a normas mais brandas, a situação é mais problemática, acrescentam os ecologistas, “já que os objetivos de regulação para 2025 e 2030 são demasiado baixos para estimular o mercado de automóveis elétricos, e portanto corre-se o risco de as reduções neste segmento de veículos serem alcançadas única e exclusivamente por melhorias de eficiência no motor de combustão, que não são suficientes e não resolvem o problema da poluição urbana”.

Procuram-se políticas públicas criativas

Para além da via da regulação, há toda uma panóplia de políticas públicas de estímulo aos automóveis elétricos que serão necessárias, lembra a associação Zero, que fala dos “incentivos fiscais criativos, a instalação de uma rede de carregamento ampla e densa, a limitação à circulação de automóveis a combustão no centro das cidades, e as metas nacionais”.

No caso da política fiscal, os ambientalistas assumem que há o risco de os tradicionais benefícios fiscais se começarem a tornar incomportáveis à medida que as vendas de veículos elétricos disparam. “Uma alternativa melhor é adotar um sistema fiscal que penaliza os carros poluentes consignando essa receita aos apoios a modelos sem emissões, como já existe em França, Itália e Suécia”, sugere a Zero.

No caso dos postos de carregamento, “é vital a sua disponibilização nos locais de residência, no trabalho, em superfícies comerciais, nas autoestradas e nos parques de estacionamento. A Europa deverá ainda legislar no sentido de todos os Estados Membros terem obrigatoriamente de cumprir mínimos no que toca às redes de carregamento. Os processos de aprovação e licenciamento de instalação de carregadores deverão ser simples e céleres”, desafiam a associação ambientalista Zero.

“No caso de medidas como estas não serem implementadas na Europa, o risco de que a indústria europeia não acompanhe a tendência e a procura por automóveis elétricos é real, deixando-se ficar para trás no mercado e cadeia de valor da mobilidade elétrica, que representa muitos empregos”, alertam os ecologistas.

“Quanto mais recursos valiosos a indústria aplicar numa tecnologia condenada como a dos automóveis convencionais, mais anacrónica se tornará, e portanto os vencedores serão os que se converterem mais cedo – nos mercados financeiros as construtoras que não têm estratégias claras de eletrificação começam mesmo a ser tidas como geradoras de custos afundados e irrecuperáveis”, acrescenta a Zero.

Para os ambientalistas não há dúvidas: “Uma transição energética requer zero emissões, sob pena de a Europa e os seus cidadãos serem ambiental e socialmente defraudados”.

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