A organização de defesa do consumidor Deco Proteste avaliou a resposta da rede pública de carregamento elétrico com um teste que consistiu em percorrer três mil quilómetros em Portugal, Espanha, Itália e Bélgica, em veículos 100% elétricos.

Na rede pública em meio urbano, o principal receio dos consumidores é o tempo de carregamento, que não pode ser longo ou um momento perdido.

Necessário converter postos com mais de 22 kW

Com efeito, na sua análise, a Deco Proteste verificou que apenas 7% dos carregadores têm potência superior a 42 kW, defendendo a conversão da rede pública para carregadores com mais de 22 kW e a criação de pontos de carregadores rápidos.

O teste à mobilidade elétrica dos carros realizou-se entre outubro de 2020 e janeiro de 2021.

No caso das autoestradas, a organização de defesa do consumidor propõe que as principais rotas tenham carregadores rápidos e ultrarrápidos em todas as estações, com postos suficientes para os veículos que ali circulam.

Distância entre carregadores

Outra das limitações verificadas no teste à resposta da rede pública de carregamento elétrico foi a distância entre carregadores.

Fora das localidades, a Deco Proteste considera fundamental garantir distâncias inferiores a 50 km entre postos.

Pagamento deve ser facilitado

O pagamento também deve ser facilitado para os turistas, os utilizadores ocasionais e quem se esquecer do telemóvel.

Nestas situações, deve ser possível pagar com cartão de crédito ou débito, dinheiro ou um cartão pré-pago. Nesse domínio, a associação de defesa do consumidor considera Portugal como um bom exemplo de um sistema de pagamento universal, em que o cliente pode contratar o fornecedor à sua medida e usar o mesmo cartão em todos os postos.

DECO PROTESTE defende melhorias e alterações à lei

Harmonizar critérios de tarifas

Para a Deco Proteste falta, também, regulamentar e harmonizar os critérios das tarifas e das taxas extra.

“A tarifa tem de ser justa e estar indicada, com informação clara sobre o preço da energia, a par da criação de um protocolo de comunicação comum entre as estações. Só desta forma as apps podem exibir dados fiáveis, como o local, a disponibilidade, o preço e a reserva”, aponta a associação.

Acesso a financiamento para postos privados em edifícios antigos

A Deco Proteste considera ainda necessário reforçar a lei ou dar acesso a financiamento para que se possam instalar postos de carregamento privados nos edifícios antigos e nas novas construções, uma vez que a melhor forma de carregar um carro elétrico é fazê-lo durante os longos períodos em que está estacionado.

“Com esta melhoria, a rede pública fica disponível para fazer carregamentos no caso de viagens longas, necessidades pontuais ou quando o consumidor não tem outra forma de carregar o carro”, sublinha esta entidade.

Segundo Alexandre Marvão, especialista em mobilidade da Deco Proteste, “o legislador, os construtores de automóveis, as empresas e os operadores de postos ainda têm muito trabalho pela frente para tornarem o carro elétrico uma opção apelativa para os consumidores”.

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Nuno José Almeida
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Nuno José Almeida

“Fora das localidades, a Deco Proteste considera fundamental garantir distâncias inferiores a 50 km entre postos.”

Para mim esta é a verdadeira questão. E pior, os carregadores estão nas Vilas e cidade e não nas estradas. Por vezes é preciso fazer KMs para ir carregar.