Através do inquérito “Radar da Reciclagem”, a Sociedade Ponto Verde (SPV) procurou perceber como está a ser feita a gestão dos resíduos associados ao contexto pandémico, em materiais como máscaras, luvas descartáveis, embalagens de gel e toalhitas desinfetantes.

A conclusão é que, embora a maioria já sabe onde deve colocar esses resíduos, nem todos os portugueses, contudo, têm essa informação assimilada, o que significa que há máscaras, luvas descartáveis ou embalagens vazias de gel desinfetante a não terem o mais correto tratamento ambiental, depois de utilizadas.

Assim, quando questionados sobre onde devem ser colocados esses materiais a maioria dos portugueses afirma não ter dúvidas. É nas máscaras que a percentagem de incerteza é mais elevada (13,1%). Ainda assim 74% não hesita em colocá-las no contentor de lixo indiferenciado (opção correta).

As luvas descartáveis são o material que mais causa diferença de opiniões entre os indivíduos uma vez que 58,6% considera que devem ser colocadas no lixo indiferenciado (opção correta), mas 21,8% considera que devem ser colocadas no ecoponto amarelo. Por seu lado, 11,3% admite ter dúvidas sobre onde colocar.

Já as toalhitas desinfetantes reúnem o consenso de 76,1% dos portugueses em como devem ser colocadas no lixo indiferenciado (opção correta). Mas 11,8% admitem não saber onde as colocar.

Os mais novos (15/24 anos), os inquiridos pertencentes a classes sociais mais baixas e os que dizem não reciclar são os que mais consideram ter dúvidas sobre onde colocar as máscaras descartáveis e as toalhitas desinfetantes. Por oposição, os mais velhos (55/64 anos), as classes sociais mais altas e os que reciclam são os mais informados quanto à separação deste tipo de resíduos.

No caso das embalagens de gel desinfetante, são os mais novos que mais consideram que este tipo de material deve ser colocado no ecoponto amarelo (resposta correta), e em contrapartida são os mais velhos (55/64 anos) os que mais acreditam que devem ser colocadas no contentor de lixo indiferenciado.

O que fazer aos resíduos resultantes da pandemia?

A forma correta de os tratar é a seguinte:

Máscaras: contentor de lixo indiferenciado
Luvas descartáveis: contentor de lixo indiferenciado
Toalhitas desinfetantes: contentor de lixo indiferenciado
Embalagens de gel desinfetante: ecoponto amarelo
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Foto: Kayla Speid/Unsplash

Este inquérito feito pela SPV revela ainda que 46,4% dos portugueses afirmam reciclar mais quantidade de resíduos agora do que há um ano, sendo que o aumento da quantidade de resíduos (52,2%) e a maior disponibilidade/mais tempo (40,6%) são os principais motivos apontados pelos indivíduos que referem reciclar mais atualmente.

Portugueses afirmam reciclar mais quantidade de resíduos do que há um ano.

O inquérito refere ainda que 37% dos inquiridos revelam que a motivação para o aumento dos comportamentos de reciclagem é a maior consciência ambiental.

Estes dados estão alinhados com a perceção da quantidade de resíduos que se têm produzido no último ano, já que a maioria dos portugueses considera que produz igual quantidade (45%) ou mais quantidade de resíduos em casa (44,6%), em comparação com o ano anterior.

Estas conclusões são retiradas da segunda vaga do inquérito “Radar da Reciclagem” realizado pela SPV com a Marktest.

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Foto: Magdiel Lagos/Unsplash

Resíduos que mais aumentaram

Entre os que referem ter produzido mais resíduos em casa, as embalagens familiares de cartão para alimentos líquidos, por exemplo pacotes de leite e sumos, são apontados como os resíduos com maior aumento (57,9%).

Sobre o inquérito

A recolha da informação foi realizada online, entre os dias 5 e 17 de fevereiro de 2021. O universo em estudo é constituído por indivíduos de ambos os géneros, entre os 15 e os 64 anos, residentes em Portugal Continental. A amostra desta vaga é constituída por 1007 entrevistas, realizadas junto do universo definido. Trata-se de uma amostra representativa do universo em estudo. O erro amostral deste estudo é de ± 3,09 p.p. e foi calculado para um intervalo de confiança de 95%. É apresentada uma segmentação geracional, considerando as seguintes gerações: Geração Z: Nascidos entre 1999 e 2005 (15-21 anos) | Geração Y (“Millennials”): Nascidos entre 1984 e 1998 (22-36 anos) | Geração X: Nascidos entre 1963 e 1983 (37-57 anos) | Geração Baby Boomers: Nascidos entre 1955 e 1962 (58-65 anos).

No segundo e terceiro lugar, respetivamente, surgem as embalagens de vidro (44,4%) e as embalagens de cartão associadas ao aumento das compras online (36,3%).

Numa análise detalhada por segmentos etários, observa-se que todas as idades, exceto uma faixa etária mais elevada (55/64 anos), consideram que reciclam atualmente mais quantidade de resíduos.

“O que aferimos destes resultados é que os últimos meses vêm mostrar que as alterações na rotina dos portugueses, em consequência do contexto pandémico, traduziram-se em mudanças nos comportamentos de consumo, com consequentes impactos na gestão de resíduos nos lares portugueses”, refere Ana Isabel Trigo Morais.

A CEO da Sociedade Ponto Verde explica que, com esta nova vaga do Radar da Reciclagem, a SPV “procurou conhecer o impacto que a pandemia teve nos comportamentos de reciclagem dos portugueses. E percebemos que, por vários motivos, estão a produzir mais resíduos em casa, mas estão também a acompanhar essa produção com altos níveis de reciclagem”.

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