A revolução dos veículos elétricos corre o risco de se tornar um brinquedo para especuladores e, nessa sequência, existe a ameaça de perder o foco em dar aquela que será a sua contribuição mais significativa para as alterações climáticas desde que o automóvel foi inventado. As palavras são de Thomas Ingenlath, CEO da Polestar, a marca sueca de veículos elétricos de alto desempenho.

Falando no Salão Internacional do Automóvel de Xangai, Thomas Ingenlath saudou o número crescente de players na indústria de veículos elétricos, mas pediu-lhes que alinhassem as suas prioridades no sentido de colocarem as alterações climáticas no topo das prioridades antes de procurarem uma avaliação de mercado altíssima.

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“O que está em jogo aqui não é quanto é que os financeiros acham que vale uma empresa, mas a oportunidade de revolucionar a indústria automóvel, torná-la elétrica e, ao mesmo tempo, dar uma grande contribuição para a proteção do clima. Em comparação com estes temas relevantes, uma avaliação de mercado é um indicador de sucesso muito pouco substancial e sem sentido”, disse Ingenlath.

“O caminho para um planeta mais limpo passa pelos nossos estúdios de design, pelos nossos departamentos de pesquisa, pelas nossas fábricas, pelas nossas cadeias de fornecimento e pelas nossas salas de reuniões. Nós, da indústria automóvel, precisamos de nos concentrar no que estamos a fazer e por quê”, deixa claro o gestor.

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“Quanto mais especulativo se torna o setor dos EV, mais profunda a nossa responsabilidade é garantir que permaneçamos focados no negócio real de construir os veículos que irão revolucionar a indústria”, declarou o CEO da Polestar.

Estas afirmações são feitas uma semana depois da marca de viaturas elétricas do Grupo Volvo ter levantado 550 milhões de dólares numa ronda de investimento de um grupo de investidores financeiros de longo prazo, naquilo que foi a primeira vez que investidores externos à marca apoiaram o desenvolvimento da empresa.

“Sinceramente surpreende-me que existam empresas que valem milhares de milhões de dólares e nunca fizeram um augtomóvel. Gostaria de afirmar hoje claramente que a revolução da mobilidade elétrica precisa de ser fundamentada na realidade, não nos sonhos”, continuou Ingenlath.

O responsável da Polestar salientou que o crescimento do mercado de veículos elétricos está a assentar também em consumidores cada vez mais preparados para combinar a mobilidade elétrica com as suas aspirações ambientais, bem como por tecnologias que estão por trás dos veículos elétricos cada vez mais económicas.

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Para o nº1 da Polestar, “essas tendências poderosas significam que a indústria automóvel está agora em posição de dar a contribuição mais significativa para a alteração climática positiva da história”.

“Claro que queremos falar sobre crescimento. Mas com isso não quero dizer crescimento nos níveis de investimento, avaliações ou múltiplos de preço/lucro. Quero dizer crescimento real. O crescimento dos consumidores mudando para veículos elétricos e o crescimento das emissões prejudiciais a serem erradicadas”, finalizou Ingenlath.

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