Marita Setas Ferro
Marita Setas Ferro
Manager & Creative Director da marca Marita Moreno

Quando falamos do conceito Vegan referimo-nos a materiais e/ou produtos que foram produzidos e onde não foi usado nenhum produto ou subproduto de origem animal. Ou seja, significa não utilizar componentes como o couro, a lã, a seda, o cashmere, o angorá e muito outros, dado que todas essas fibras são de origem animal.

13 conceitos sobre Ética, Sustentabilidade e Moda

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Com tantos conceitos e definições que envolvem a sustentabilidade, por vezes ficamos confusos relativamente ao que determinados termos significam.

Neste sentido e para facilitar uma melhor compreensão apresentam-se 13 conceitos básicos sobre ética, sustentabilidade e moda que são fundamentais para uma melhor compreensão do que nos rodeia e para que possamos fazer uma escolha e um consumo mais consciente.

  • Moda sustentável significa evitar o esgotamento dos recursos naturais, mas também a exploração de indivíduos e comunidades. Significa encontrar um equilíbrio ao projetar, fabricar e consumir peças de vestuário, calçado e outros itens ligados à indústria da moda. Ser sustentável também significa que a moda tem que manter este equilíbrio no futuro, tendo uma abordagem e estratégia de longo prazo para a produção e consumo de produtos de moda. É importante que a indústria da moda consiga garantir que evita os danos e cria o bem para as pessoas, para o planeta e/ou para os animais. 
  • O termo “moda ética e sustentável” apresenta-se normalmente em conjunto. A Moda Ética concentra-se mais no impacto social da indústria da moda e no que é “moralmente certo”. Ou seja, a moda ética vai para além das leis de trabalho, cobrindo uma ampla gama de questões, como salários dignos, condições de trabalho, contribuições fiscais e sociais, bem-estar animal e moda vegan. Paralelamente, não se pode ignorar as dimensões éticas dos desafios ambientais catastróficos, como o impacto da mudança climática ou a destruição de fontes de água doce em humanos e animais.
  • A Moda circular é baseada em parte na filosofia de design Cradle to Cradle de William McDonough e Michael Braungart. A moda circular procura eliminar o desperdício, a poluição que os produtos de moda provocam e garantir que o negócio da moda ajuda a regenerar os sistemas naturais no final das suas (longas) vidas. O modelo de negócio da moda circular opõe-se ao modelo de negócios linear tradicional baseado no “take-make-descarte”. O maior desafio consiste no final de vida do produto – quando é descartado ou deitado fora, como, onde, de que forma reciclar? Uma das maiores defensoras da moda circular global é a Ellen MacArthur Foundation. 
  • Moda rápida (Fast Fashion) pode ser definida como um modelo de produção em massa de produtos de moda “do momento”, de fabricação barata, que são vendidos a um preço muito baixo, levando a um consumismo desenfreado. São roupas muito baratas e do “último grito da moda”, produzidas numa velocidade alucinante para satisfazer os pedidos do consumidor, com a noção que vão comprá-las enquanto ainda estão “acabadas de fazer”, para depois se desfazerem delas, após pouco uso. Ou seja, é a noção de que para ficar na “moda” tem que usar o “ultimo grito” e que repetir o uso de roupas é uma “gafe da moda”, incentivando a comprar os looks de moda mais recentes, conforme vão aparecendo, levando a uma maior produção rápida e assim por diante, numa espiral sem fim. É uma das partes fundamentais do sistema de superprodução e consumo absolutamente tóxico que tornou a indústria da moda uma das maiores poluidoras do mundo.
  • Moda lenta é um termo criado por Kate Fletcher do Center for Sustainable Fashion, e que seguindo o fenómeno do movimento “slow food”, a moda lenta (slow fashion) é o oposto da moda rápida (fast fashion). É um movimento e abordagem da moda que considera que o uso de processos e recursos necessários para fazer produtos de moda devem estar focados na sustentabilidade, na poupança de recurso, no não-desperdício, nos princípios de circularidade, na reciclagem, no upcycling e noutros processos que reduzam o impacto ambiental. Significa também, comprar roupas com menos frequência, de melhor qualidade e feitas duma forma ética e sustentável, e que durem mais tempo, valorizando o tratamento justo das pessoas, animais e do planeta. 
  • O termo biodegradável significa que um material se decompões na natureza sem a poluir, contribuindo para um ecossistema mais limpo. Todos os materiais se estragam embora haja alguns que demoram milhares de anos a decomporem-se e libertam produtos químicos e substâncias nocivas no processo. Os materiais biodegradáveis, pelo contrário, decompõem-se naturalmente no meio ambiente, evitam a poluição e contribuem para alimentar o ecossistema natural. É com facilidade que se encontram embalagens biodegradáveis e também materiais como o biocouro, o malai ou a cortiça que são muito ecológicos! Ainda que a compensação de carbono não seja simples e não seja uma solução milagrosa para as mudanças climáticas, os materiais biodegradáveis são uma solução de futuro.
  • O termo orgânico refere-se a matérias-primas que não são geneticamente modificadas (GM), tendo sido cultivadas em terrenos sem pesticidas e sem inseticidas químicos. É um termo que vem da área agrícola e que diz respeito às práticas da agricultura orgânica que evitam o uso de produtos químicos nocivos, ao mesmo tempo que visam a sustentabilidade ambiental e o uso de menos recursos. A procura de produtos “orgânicos” começou na indústria alimentar e estendeu-se à indústria da moda, com cada vez mais marcas a oferecer opções orgânicas. O algodão orgânico, em particular, é bastante popular, embora a sua produção tenha diversos problemas. A Global Organic Textile Standard (GOTS) e a Better Cotton Initiative (BCI), entre outras, estão a ajudar os consumidores a encontrar produtos de moda orgânicas certificados.  É um termo muito sujeito a ser usado em greenwashing, o que já acontece com diversas empresas e marcas de moda que já comunicam o uso de algodão orgânico sem antes tratarem de questões mais prementes, como locais de produção, condições de trabalho, etc.
  • Quando falamos do conceito Vegan referimo-nos a materiais e/ou produtos que foram produzidos e onde não foi usado nenhum produto ou subproduto de origem animal. Ou seja, significa não utilizar componentes como o couro, a lã, a seda,  o cashmere, o angorá e muito outros, dado que todas essas fibras são de origem animal. Levanta também a questão dos direitos dos animais na indústria da moda estarem frequentemente ligados a questões ambientais mais amplas. A PETA® é uma organização que certifica materiais e produtos vegan para garantir que não há ingredientes de origem animal nas suas roupas e acessórios. No entanto, há que estar atento à composição pois a maior parte dos materiais e produtos vegan são de origem petrolífera e como tal nada sustentáveis! 
  • Reciclar é a ação de converter o lixo em algo novo. Na indústria da moda, a reciclagem poderá ser feita a partir de diversos materiais usados em produtos para vestuário e acessórios. Como em muitas indústrias, fala-se bastante sobre plásticos reciclados, dado que produzimos e consumimos uma enorme quantidade de plástico (origem petrolífera e nada sustentável). Para tentar resolver o problema do plástico, algumas empresas começaram a fazer a reciclagem de plástico em novas fibras para aplicarem em novos produtos, como por exemplo, transformando garrafas de plástico (PET) em fios para fazer malha usada em calçado ou têxteis para vestuário. Mas como os produtos de plástico reciclado ainda são de plástico, o assunto é controverso e muito debatido na indústria.
  • O termo reutilizar (upcycling) é usado quando se classifica a transformação de resíduos em material reutilizável, mas de melhor qualidade. Com base nos conceitos apresentados no Cradle to Cradle, este é um tema sobre o qual se fala cada vez mais. Trata-se de reutilizar e reaproveitar itens antigos, restos de produção ou stock parado (que iriam para aterros ou para queimar, poluindo o ambiente – ar e solo), para se fazer algo novo – por exemplo, usar têxteis de algodão velhos para fazer uma máscara facial, usar os restos dos cortes da indústria para fazer novos produtos artesanais. A reutilização remove os resíduos do sistema, requer menos energia do que a reciclagem e, por isso, tem um impacto ambiental menor. Promove também a criatividade e a inovação e é bastante educativo para trabalhar com as crianças.
  • Transparência é a prática de compartilhar as informações sobre como, onde e por quem o produto é feito. Ser transparente significa divulgar todas as informações sobre todos os atores envolvidos no processo de produção, do início ao fim, do campo às prateleiras das lojas. Deverá ser o primeiro passo para uma marca ser responsável, sustentável e ética, pois permite que os consumidores estejam informados exatamente sobre o que compram, com detalhes dos processos de produção. Dai, que os consumidores devem procurar a informação na própria marca e em plataformas que classifiquem as marcas de acordo com vários itens de sustentabilidade e ética
  • Provavelmente já ouviu falar sobre comércio justo ou viu certificações em produtos no supermercado e é uma certificação muito associada à agricultura. O comércio justo refere-se ao movimento geral, que abrange muitas organizações diferentes com o objetivo comum de apoiar os produtores, proteger os direitos dos trabalhadores e o meio ambiente. O comércio justo descreve uma marca ou um produto individual que, no caso alimentar foi certificado e rotulado por uma organização independente dado que corresponde a certos padrões. Fairtrade, por outro lado, refere-se especificamente à organização de certificação e rotulagem Fairtrade International.
  • O termo Greenwashing corresponde ao uso de publicidade e marketing para descrever os produtos, atividades ou políticas de uma organização ou entidade, como ecologicamente corretos, quando não o são. Hoje em dia, é uma preocupação crescente, dado que algumas empresas estão a tentar retirar benefícios da crescente procura de moda sustentável ​​e ética. Geralmente, as empresas/marcas comercializam iniciativas supostamente “ecológicas” – por exemplo, ter uma linha minúscula ecologicamente correta, usando embalagens recicladas ou mudando para lâmpadas LED em seus escritórios, sem abordar questões ambientais, sociais, condições de trabalho duma forma credível e séria.

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