Ana Patrícia Fernandes
Ana Patrícia Fernandes
Investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e do Departamento de Ambiente e Ordenamento (DAO) da Universidade de Aveiro (UA)

A utilização de drones permite a obtenção de informação espácio-temporal da forma como o fogo progride, com maior detalhe e mais próximo da realidade, quando comparado com simulações computacionais.

Drones: uma mais-valia no estudo da propagação do fogo

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Em Portugal todos os anos soam os alarmes indicando a ocorrência de incêndios florestais. Estes causam uma enorme destruição da fauna, da flora, de bens materiais (casas, empresas) e muitas vezes de vidas humanas.

Atualmente, devido às mudanças climáticas, são observadas frequentemente condições para a ocorrência de secas e ondas de calor, que facilitam a incidência de incêndios florestais mais severos.

Estes fatores levaram a um aumento do interesse da comunidade científica pelas temáticas relacionadas com os incêndios florestais, onde o estudo da propagação do fogo é uma questão fundamental.

O estudo da propagação do fogo requer uma caracterização rigorosa e detalhada de diferentes componentes, nomeadamente a localização da ignição, o declive do terreno, as propriedades do combustível, os fatores de emissão e as condições meteorológicas.

Toda esta informação é então processada como dados de entrada de modelos numéricos de simulação, usualmente utilizados para estimar a progressão do fogo. No entanto, a incerteza associada a estes dados de entrada é elevada, levando também a grandes incertezas nos resultados do cálculo da linha de progressão de fogo.

O papel dos drones

Recentemente, a utilização de Veículos Aéreos Não Tripulados, mais conhecidos por drones, tem tido um crescimento exponencial em diversas áreas de utilização e o estudo da evolução temporal da progressão de fogo não é exceção.

Neste âmbito surge o Projeto MoST (Modelação, interrogação e visualização interativa de dados espácio-temporais) que tem como principal objetivo o desenvolvimento de ferramentas avançadas de modelação e análise de dados espácio-temporais utilizando modelos contínuos no espaço e no tempo.

Um dos casos de estudo do Projeto MoST pretende estudar a progressão da linha de fogo usando duas abordagens diferentes. A primeira é baseada em uma ferramenta de modelação – FARSITE – que calcula a progressão da linha de fogo usando topografia, características de combustível e dados meteorológicos.

A segunda abordagem é baseada no tratamento de imagens capturadas por drones equipados com câmaras RGB e térmicas, em contexto de campanhas de fogo controlado. A utilização de drones na observação de fogos controlados permite obter uma caracterização detalhada do terreno e uma melhor identificação de pontos de ignição.

A sua utilização permite a obtenção de informação espácio-temporal da forma como o fogo progride, com maior detalhe e mais próximo da realidade, quando comparado com simulações computacionais.

Embora o projeto ainda não tenha terminado, é já possível afirmar que a utilização de drones no estudo da progressão de fogo é bastante promissora, podendo vir a passar do contexto de fogos controlados para o contexto de incêndios florestais.

Para mais informações poderá aceder à página web do projeto

Foto de Matt Palmer

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