Rumo à mobilidade elétrica, a Audi fez saber que não irá vai desenvolver mais novos motores de combustão interna. Foi o próprio CEO da marca do símbolo dos anéis, Markus Duesmann, a referir esse facto, numa entrevista ao Frankfurter Allgemeine Zeitung.

“Os planos da União Europeia para uma norma de emissões Euro 7 ainda mais restrito são tecnicamente um grande desafio com, ao mesmo tempo, poucos benefícios para o meio ambiente. Isso limita extremamente o motor de combustão”, afirma Duesmann que deixou claro: “Não desenvolveremos mais um novo motor de combustão interna, mas adaptaremos os nossos motores de combustão interna existentes às novas diretrizes de emissões”.

Ou seja, a lógica será adaptar os motores existentes, mas não criar mais novos motores, algo que a marca assume fazer pouco sentido.

Ainda assim, nesta entrevista, o patrão da Audi não quis adiantar uma data específica para este adeus.

Oficialmente, a Audi ainda não tinha feito até à data uma comunicação definitiva sobre o abandono do desenvolvimento de novos blocos térmicos, pelo que estas declarações do seu CEO são de grande impacto e feitas no dia em que o construtor deu a conhecer o seu relatório e contas do ano 2020, na habitual conferência de imprensa anual com o conselho de administração, realizada a partir de Ingolstadt.

Objetivo: aposta na eletrificação

CEO da Audi, Markus Duesmann

Aliás, na fase de perguntas e respostas na conferência de imprensa de hoje, Markus Duesmann afirmou taxativamente a certa altura: “Os BEV são o futuro para nós”.

O que se sabe é que, internamente, Duesmann já tinha transferido o departamento de desenvolvimento de toda a empresa para reforçar a aposta na eletrificação.

Integrada no Grupo VW, a Audi disponibiliza presentemente aos consumidores três modelos elétricos e-tron, o desportivo e-tron GT (baseado no Porsche Taycan), o SUV e-tron e a sua variante e-tron Sportback.

Audi e-tron GT quattro

Destes três modelos, os dois SUV são ainda baseados numa plataforma partilhada com variantes térmicas, pelo que o quarto modelo 100% elétrico da marca alemã, o Audi Q4 e-tron e a sua derivação Q4 e-tron Sportback, fará, neste aspeto, um “virar de página”, ao ser baseado na plataforma elétrica MEB.

De resto, o Q4 e-tron ao surgir ainda como um elétrico acessível a mais pessoas, dará ao construtor alemão a possibilidade de “vender bem e garantir números significativos”, na convicção de Duesmann.

A audi quer oferecer 20 modelos elétricos em cinco anos

O êxito do Q4 e-tron irá, de resto, permitir que a Audi avance determinada para alcançar a sua meta de vir a oferecer 20 modelos elétricos em cinco anos. O Q4 e-tron será um SUV compacto equivalente na Audi ao VW ID.4.

Na divulgação à imprensa dos números financeiros do ano 2020, a Audi insistiu no seu compromisso com a eletromobilidade, sublinhando que em 2021, pela primeira vez, mais de metade dos novos modelos introduzidos serão eletrificados, aqui se incluindo as opções PHEV (híbridos plug-in).

Audi Q3 45 TFSI e

Devido à pandemia, as vendas de viaturas e as receita de vendas na Audi caíram, mundialmente, em 2020 face a 2019: 1,692,773 veículos entregues em 2020 contra 1,845,573 veículos entregues em 2019 (queda de 8,3%); e 49,973 milhões de euros de receitas de vendas em 2020 contra 55,680 milhões de euros de receitas de vendas em 2019 (redução de 11,4%).

Para além do objetivo de oferecer mais de 20 modelos totalmente elétricos até 2025, o fabricante quer avançar com uma expansão significativa do portefólio de PHEV.

A empresa calcula, de resto, que até 2025, cerca de um terço das entregas globais de veículos a clientes consistirão em automóveis totalmente elétricos e híbridos.

Para os próximos cinco anos, quase metade do total de investimentos previstos pela Audi de 35 mil milhões de euros irá para tecnologias futuras – cerca de 15 mil milhões de euros apenas para eletromobilidade e hibridização.

No balanço do ano 2020, acompanhado pelo Watts On em livestreaming, o conselho de administração da Audi salientou que o totalmente elétrico e-tron foi, juntamente com o Audi e-tron Sportback, o veículo elétrico mais vendido em todo o mundo por um fabricante premium alemão, com um crescimento na procura de quase 80% face ao ano anterior. “Desta forma, a gama e-tron está a dar uma contribuição decisiva para o cumprimento das metas da empresa quanto às emissões de CO2”, apontou a marca.

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