A convivência das trotinetes com os demais veículos no ambiente rodoviário tem levantado questões de segurança.

Dois crash-tests efetuados em Espanha pela Fundação Mapfre e pela sua divisão CESVIMAP (entro de Experimentação e Segurança Rodoviária) vieram agora mostrar que uma colisão, a apenas 25 km/h, de uma trotinete elétrica contra um peão ou um veículo pode causar ferimentos graves ao condutor da trotinete e aos peões.

Esta investigação consta do relatório “Testes de colisão de trotinetes elétricas, riscos associados e recomendações para uma utilização segura” (“Pruebas de choque (crashtests) de patinetes eléctricos y riesgos asociados a su proceso de recarga: recomendaciones para un uso seguro. Departamento de vehículos de CESVIMAP y Área de prevención y seguridad vial de Fundación MAPFRE”).

José María Cancer, diretor da CESVIMAP, refere que o objetivo deste estudo é alertar “sobre os possíveis riscos de abuso do VMP [Veículos de Mobilidade Pessoal, n.d.r.] e apoiar os fabricantes para melhorar o design desses veículos e torná-los mais seguros”.

Primeiro teste: colisão com veículo

No primeiro teste de colisão, foi colocado um manequim em cima de uma trotinete a uma velocidade de 25 km/h.

A trotinete colide lateralmente num monovolume (um Chrysler Voyager), num ângulo de 90º, numa simulação do que poderia acontecer num cruzamento ou entroncamento.

A análise da colisão estabeleceu que a área do corpo mais afetada foi a da cabeça do utilizador da trotinete. Todavia, a região cervical também ficou exposta a um alto risco de lesões, devido ao possível efeito chicote no momento após a colisão, depois da cabeça bater no chão.

Forças (G) e partes do corpo afetadas durante o crash-test

“As partes da cabeça não protegidas pelo capacete, como o rosto, são as que mais sofrem danos neste acidente”, afirma Jorge Ortega, coordenador do relatório.

Segundo teste: atropelamento de criança

No segundo teste, o dummy da trotinete atropela uma criança que circulava a pé. Fruto do embate mais do que o condutor da trotinete é a criança que sofre os ferimentos pessoais mais graves: lesões graves no joelho, tórax e cabeça, as partes do corpo que sofrem, em primeiro lugar e de forma violenta, com o impacto contra a coluna de direção da trotinete e depois contra o solo.

A colisão também afeta os ombros da criança, já que, na queda, leva em cima com o peso do utilizador e da própria trotinete.

Forças (G) e partes do corpo da criança atropelada afetadas durante o crash-test

Para o condutor deste veículo de mobilidade pessoal, o risco de lesão é reduzido, na medida em que a sua queda é “amparada” pelo corpo do peão que foi atingido.

“Os dados extraídos destes testes forneceram informações muito valiosas sobre os danos diretos e indiretos” de colisões com trotinetes, refere a Fundação Mapfre.

O que mais influencia um acidente fatal

Com base na realidade espanhola, segundo os especialistas da CESVIMAP, os fatores que mais influenciam um acidente fatal são conduzir trotinetes sem capacete (40%), imprudência cometida por outros veículos (20%) e circular em estradas interurbanas (20%).

“Atualmente, um terço dos atingidos por este tipo de acidente sofre traumatismo craniano que requer internação em Unidades de Medicina Intensiva”, explica a CESVIMAP.

A CESVIMAP aconselha os utilizadores de trotinetes a usar sempre capacete e colete refletor ou roupa de alta visibilidade.

Para além do respeito pela sinalização de trânsito, a CESVIMAP diz que, em nome da segurança, os utilizadores de trotinetes não devem usar aparelhos para ouvir música, nem invadir as calçadas. Ao atravessar uma passadeira, deverão descer da trotinete.

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