A Bentley Motors acaba de anunciar um estudo de pesquisa de três anos que pretende revolucionar a sustentabilidade dos motores elétricos auxiliares (sem tração).

Enquadrado no compromisso da marca inglesa em oferecer apenas veículos híbridos ou elétricos até 2026, o resultado poderá ser a reciclagem de ímanes de terras raras para utilização em motores auxiliares, um processo utilizado pela primeira vez.

Os chamados metais de terras raras ou terras raras são um grupo relativamente abundante de 17 elementos químicos. Embora sejam abundantes, as terras raras, ou metais de terras raras, recebem esse nome por serem de difícil extração. As propriedades químicas e físicas das terras raras são utilizadas numa grande variedade de aplicações tecnológicas. Os 17 elementos químicos são escândio (Sc), ítrio (Y), lantânio (La), cério (Ce), praseodímio (Pr), neodímio (Nd), promécio (Pm), samário (Sm), európio (Eu), gadolínio (Gd), térbio (Tb), disprósio (Dy), hólmio (Ho), érbio (Er), túlio (Tm), itérbio (Yb) e lutécio (Lu).

O estudo, intitulado RaRE (Reciclagem de terras raras para máquinas eletrónicas), apoia-se no trabalho concluído na Universidade de Birmingham no desenvolvimento de um método de extração de ímanes a partir de resíduos de aparelhos eletrónicos.

O projeto ampliará esse processo e reaproveitará o material magnético extraído para produzir novos ímanes recicláveis para utilização em motores auxiliares específicos.

Além dos benefícios em termos de sustentabilidade, o RaRE proporcionará também formas de minimizar a complexidade do fabrico destes motores, ao mesmo tempo que apoia o desenvolvimento da cadeia de suprimentos do Reino Unido para produção em grande escala e componentes de baixo volume.

Base para tipos de propulsão elétrica sustentáveis

“À medida que aceleramos na nossa jornada para a eletrificação, oferecendo apenas veículos híbridos ou elétricos até 2026 e totalmente elétricos até 2030, é importante que nos concentremos em todos os aspetos da sustentabilidade do veículo, incluindo métodos sustentáveis de obtenção de materiais e componentes”, refere Matthias Rabe, membro do Conselho de Engenharia da Bentley Motors.

Para este responsável da Bentley, “o RaRE promete uma mudança radical na reciclabilidade elétrica, sendo uma fonte para motores de baixa tensão, produzidos à medida para uma série de aplicações diferentes, e estamos confiantes de que os resultados fornecerão uma base para tipos de propulsão elétrica totalmente sustentáveis”.

Consórcio R&D integra seis parceiros, com sede no Reino Unido, e tem como objetivo a primeira aplicação em 2026

Este estudo será executado em paralelo ao programa de pesquisa Octopus da Bentley, que visa desenvolver um eixo eletrónico integrado sem ímanes de neodímio, para suportar arquiteturas de veículos elétricos.

Tal como acontece com o Octopus, o RaRE é um projeto financiado pela OZEV (Office for Zero Emission Vehicles) e realizado em parceria com a Innovate UK, que reúne seis parceiros com funções e responsabilidades distintas:

  • Bentley Motors (liderará a definição das especificações e o desenvolvimento do protocolo de testes);
  • Hypromag (conversão dos elementos extraídos em ímanes sintetizados com propriedades pré-definidas);
  • Unipart Powertrain Applications (desenvolvimento de rotas de aumento de escala de produção);
  • Advanced Electric Machines Research (projeto e desenvolvimento dos motores);
  • Intelligent Lifecycle Solutions (pré-processar unidades de disco rígido de computador para remover os componentes contendo ímanes de terras raras dos resíduos que serão enviados à Hypromag);
  • e University of Birmingham (fornecerá ligas fundidas, que serão sustentadas na Hypromag para se combinarem com materiais secundários, a fim de produzir ímanes segundo um processo de sinterização).

A Bentley pretende disponibilizar apenas veículos híbridos ou elétricos até 2026

Nick Mann, diretor de Operações da Hypromag, destaca que “o RaRE é um projeto empolgante e uma oportunidade fantástica de provar a importância e o potencial do material magnético reciclado”.

Mann sublinha que “as tecnologias de reciclagem da Hypromag permitem-nos produzir ímanes de NdFeB [neodímio-ferro-boro, n.d.r.] com um custo de carbono muito mais baixo do que usando fornecimento virgem, com independência do fornecimento chinês, e estamos a trabalhar em estreita colaboração com o nosso principal acionista – Mkango Resources – para expandir ainda mais esta área de negócio. Temos orgulho de trabalhar com empresas inovadoras e de renome no projeto RaRE, com as quais podemos apresentar as tecnologias do projeto como um todo: ímanes reciclados, sendo usados para produtos de ponta numa aplicação de prestígio”.

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