A Stex, start-up criada em 2019 que desenvolve tecnologias verdes para a produção de biocombustíveis líquidos, pré-bióticos e proteínas a partir de biomassas residuais ou resíduos em escala industrial, foi distinguida com o prémio Born from Knowledge (BfK) Awards, atribuído pela Agência Nacional de Inovação (ANI).

O prémio distingue a tecnologia criada por esta empresa que aproveita os resíduos florestais e agrícolas e os resíduos sólidos urbanos para produzir bioetanol.

Trata-se de uma solução inovadora, dado que não há produtores deste tipo de biocombustíveis em Portugal e, na Europa, a produção é incipiente.

É neste contexto que nasce a Stex “que desenvolveu um processo inovador, o qual, ao contrário do que acontece nas soluções maioritariamente adotadas, não parte de açúcares (Brasil) ou hidratos de carbono (Europa e EUA)”, refere a empresa.

O galardão foi entregue no âmbito da 7ª Edição do Prémio Empreendedorismo e Inovação Crédito Agrícola.

“Estas alternativas, além de não serem as mais sustentáveis, ainda competem com a produção de alimentos, o que aumenta os seus preços. A solução da Stex assenta numa unidade industrial, a biorrefinaria, para transformar resíduos florestais, agrícolas ou lixo urbano em bioetanol. Trata-se de um biocombustível avançado, uma vez que é feito a partir de matéria celulósica residual e não compete com a produção de alimentos”, salienta a empresa.

Os clientes da Stex são os distribuidores de combustíveis, que, no âmbito da Diretiva RED II, têm de incorporar nos seus produtos pelo menos 0,2% bioetanol já em 2022, 1% em 2025 e 3,5% em 2030.

O objetivo é que, até 2030, o consumo de fontes de energia renováveis pela União Europeia seja de 32%.

O processo desenvolvido dá um destino sustentável aos resíduos florestais, agrícolas ou urbanos.

Sabia que…
… em 2018, a União Europeia aprovou a RED II (Renewable Energy Directive II ou Diretiva das Energias Renováveis), que obrigará o setor dos transportes a incorporar, no mínimo, 3,5% de biocombustíveis que provenham de resíduos até 2030?

O projeto permite também aos distribuidores de combustíveis contribuir para a descarbonização da sociedade ao utilizar um biocombustível de resíduos que pode reduzir até cerca de 95% as emissões de CO2 em comparação com os fósseis.

Com a procura por este tipo de biocombustível a aumentar nos próximos anos, a Stex revela que, só na Europa, o potencial de mercado pode chegar a 15 mil milhões de euros.

Neste contexto e após uma faturação de meio milhão de euros, o volume de negócios da Stex poderá ascender a seis milhões de euros, com o arranque da primeira biorrefinaria e a venda do biocombustível avançado, de acordo com as estimativas dos responsáveis da start up.

Neste momento, esta start up administrada por Lucas Coelho, está em busca de parceiros para implementar as biorrefinarias em Portugal e na Europa.

Nos próximos dois anos, o objetivo é construir em Portugal a primeira biorrefinaria da Península Ibérica, e, em 10 anos, dez no território ibérico.

O restante mercado europeu também está nos seus horizontes.

Evolução da empresa
Após quatro anos a desenvolver a tecnologia no Brasil, os fundadores da Stex decidiram mudar-se para a Europa, dada a legislação madura para a transição energética existente e para uma sociedade neutra em carbono até 2050.
Em 2019, abriram a Stex, uma empresa 100% portuguesa, e instalaram no campus do Lumiar do LNEG, em Lisboa, a Unidade Piloto que mantinham do outro lado do Atlântico.
A Stex validou o processo para resíduos florestais (de Portugal), bagaço de azeitona e podas de oliveiras e resíduos sólidos urbanos (RSU) através de uma parceria com o LNEG, o que lhe tem permitido reforçar a sua credibilidade, dada a importância do LNEG no ecossistema de Investigação, Desenvolvimento e Inovação (I&D&I).
A start up opera uma fábrica-piloto dentro das instalações da Unidade de Bioenergia e Biorrefinarias do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG).

Prémio Empreendedorismo e Inovação Crédito Agrícola
O Prémio Empreendedorismo e Inovação Crédito Agrícola contou este ano com três categorias abertas a concurso público, alinhadas com as prioridades do Pacto Ecológico Europeu da Comissão Europeia: a categoria Sustentabilidade na Produção e Transformação, para premiar os projetos que permitam uma produção agrícola, agroalimentar e florestal mais sustentável; a categoria Economia Circular e Bioeconomia, para destacar os projetos que promovam uma otimização dos recursos biológicos; e a categoria Alimentação, Nutrição e Saúde, dedicada aos projetos que permitem uma alimentação segura, nutritiva e de elevada qualidade.

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