Sines é agora o ponto de ligação entre a Europa e a América Latina. Isto porque a EllaLink já ancorou, nesta cidade portuguesa, o seu sistema de cabos submarinos de baixa latência de última geração. Um projeto que vem na sequência de uma operação de investimento de 150 milhões de euros, considerada por alguns “uma das grandes apostas da Presidência Portuguesa da União Europeia”.

A instalação do sistema de cabos EllaLink em Sines foi mais um passo dado pela empresa no sentido de “abrir um corredor para a transmissão de dados entre os dois continentes”. Algo que “pode vir a fornecer novas oportunidades ao mercado europeu”, até porque o sistema EllaLink inclui diversas rotas terrestres que ligam Data Centers estratégicos. Nomeadamente em Lisboa, Madrid, Marselha, São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza em parceria com a Equinix e Interxion.

Para já, as previsões são de que o sistema de cabos submarinos de baixa latência de última geração, ancorado recentemente em Sines, fique totalmente operacional no segundo trimestre deste ano. Quando isso acontecer proporcionar-se-á, “um nível de conetividade sem precedentes entre a Europa e a América Latina”. À Europa, este chegará através de Portugal.

Redução da latência para metade

A instalação do sistema de cabos submarinos da EllaLink em Sines permitiu à empresa evitar países terceiros e assim criar a rota direta mais curta entre a Europa e a América Latina. Consequentemente, o grupo reduziu a latência para metade, quando comparada com a atual infraestrutura. Para ser exata, a EllaLink atingiu um valor real de latência inferior a 60ms entre Portugal e o Brasil.

Talvez esteja confuso com os dados que lhe acabei de apresentar, por isso permita-me tentar explicar-lhe. A latência é o espaço de tempo que a informação leva a passar na rede, desde os utilizadores até aos Data Centers e plataformas. E eis o porquê de, no contexto atual, esta ser tão importante.

Nos últimos dez anos registou-se um crescimento do consumo de produtos digitais e uma consequente intensificação da necessidade de conetividade entre países e continentes. Conetividade essa que vai “da simples transmissão de voz até à transmissão em tempo real de vídeos em streaming”. Sem esquecer também “todas as futuras aplicações que serão possíveis graças à implementação do 5G em todo o mundo”. 

As referidas aplicações são tão sensíveis aos valores de latência que estes se tornam um fator essencial para o mundo digital. Nesse sentido, e por se tratarem de aplicações que requerem menor latência, a instalação do sistema de cabos da EllaLink em Sines e consequente redução da latência revelam-se bastante pertinentes e até promissoras.

EllaLink aposta em tecnologia de ponta

A EllaLink é uma plataforma ótica avançada que oferece acesso de alta qualidade a serviços de telecomunicações e aplicações. Como? Através de uma conexão direta, de alta velocidade e com muito baixa latência. Algo que obrigou a empresa a apostar em tecnologia de ponta aquando do desenvolvido do seu sistema de cabos submarinos, agora ancorado em Sines.

O grupo tem intenções de aproveitar o começo de 2021 para reforçar a sua rede, de forma a estar operacional até ao final do segundo semestre. Nesse sentido a empresa planeia expandir o seu sistema de cabos submarinos à Ilha da Madeira, Cabo Verde e Marselha. Tornar-se-á assim mais fácil “estabelecer uma conetividade ampliada com a África, Ásia e Médio Oriente”, defende o grupo.

Sines Tech: Innovation and Data Center Hub

“A EllaLink não nos trouxe só um cabo submarino de telecomunicações direto entre a União Europeia e a América do Sul, importantíssimo no contexto global”, começa por referir Eurico Brilhante Dias. Com este projeto “surgiu a possibilidade de uma parceria mais ampla em que, juntos, vamos desenvolver um hub de estações de amarrações de cabos e centros de dados” acrescenta o Secretário de Estado da Internacionalização.

O referido hub foi desenvolvido “graças a um esforço conjunto e ao importante apoio de outros parceiros, desde logo a Câmara Municipal de Sines”. Apelidado de Sines Tech: Innovation and Data Center Hub, “este oferece a Sines condições para acolher os grandes players internacionais de telecomunicações e da economia digital”.

Phillipe Dumont, CEO da EllaLink faz questão de salientar que Portugal faz parte dos planos para o futuro da empresa. “A EllaLink vai continuar a contribuir para o desenvolvimento internacional, impulsionando igualmente o local, através da transformação digital de empresas e organizações em Portugal”, refere.

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