O confinamento provocado pela COVID-19 colocou as energias renováveis no centro do palco do combate ao efeito das alterações climáticas.

Para Carlos M. Lopes (Executive Director EY, Infrastructure & Real Estate, Strategy and Transactions), “o recente confinamento COVID-19 permitiu, de certa forma, antecipar o futuro, no que concerne à contribuição das energias renováveis para a matriz energética”, sendo um elemento crucial para se alcançar a sustentabilidade na sociedade.

A ideia consta do estudo da EY “Conhecer os desafios ajuda a encontrar o caminho? Portugal: Desafios para 2021” que o Watts On tem vindo a destacar em diversos artigos.

Contribuição das renováveis

A consultora lembra que durante o período generalizado de confinamento a contribuição das renováveis ultrapassou 50% da geração total no continente europeu, tendo, nos EUA, as renováveis ultrapassado o carvão pela primeira vez em 130 anos.

“O compromisso para que se atinja a neutralidade carbónica tem vindo a intensificar-se. A China, maior emissor de gases de efeito de estufa, anunciou a sua intenção de se tornar neutro em carbono até 2060, enquanto que 120 países da Climate Ambition Alliance assumiram o mesmo compromisso até 2050”, acrescenta Carlos M. Lopes.

Desafio de neutralidade carbónica

O consultor destaca que Portugal foi um dos primeiros países a assumir o desafio de neutralidade carbónica nos próximos 30 anos, “sendo, naturalmente, um dos pontos principais da estratégia nacional a descarbonização do sistema electroprodutor e a aposta na geração a partir de fontes renováveis”.

A EY publica a cada dois anos o RECAI – Renewable Energy Country Attractiveness Index, que inclui 40 geografias em todo mundo, incluindo Portugal. Este pretende medir, através de diversos parâmetros, a capacidade de determinado mercado em atrair investimento para esta indústria.

Na sua última edição de novembro de 2020 Portugal atingiu o 22º lugar, cinco lugares acima da edição de 2018.

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Leilões solares

“A melhoria recente da atratividade de Portugal prende-se com vários temas, destacando-se os leilões solares e a capacidade que estes tiveram em atrair a atenção de promotores internacionais, bem com o estabelecimento de novos patamares de competitividade em termos de preço”, explica Carlos M. Lopes.

“A popularidade dos leilões significou que, pelo menos 100MWh de armazenamento de energia serão desenvolvidos em Portugal até 2024, garantindo mais autonomia e estabilidade do sistema electroprodutor. O contexto pandémico levou a que apenas um leilão solar se tenha realizado em 2020, no entanto o setor público tem planos para lançar dois leilões por ano, com uma respetiva atribuição de capacidade de 1GW em cada período anual”, aponta a EY que insiste que este será “seguramente um tema fulcral para que seja possível atingir a meta de 80% da capacidade instalada em renováveis até 2030”.

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Hidrogénio verde

Outro tema que a EY antevê como central é o hidrogénio verde. “A UE lançou a sua estratégia associada em julho deste ano, como fator preponderante para a meta de carbono zero. O hidrogénio renovável ou verde é produzido por eletrólise de água, utilizando eletricidade de base limpa, a partir de geração solar ou eólica. Outra opção considerada low-carbon, é o hidrogénio azul, produzido a partir de combustíveis fósseis cujas emissões são capturadas e armazenadas”, afirma o analista Carlos M. Lopes.

Disponibilidade e o custo da energia renovável

“Independentemente das vozes discordantes que se levantam à volta deste tema parece existir algum consenso em torno de alguns pontos. A disponibilidade e o custo da energia renovável serão essenciais para o desenvolvimento do hidrogénio verde, sendo que a escassez de renováveis deverá levar a que a versão azul desempenhe um papel importante no curto e médio prazo”, diz Carlos M. Lopes.

Adicionalmente, “a existência de um mercado de consumo é crítica para se seja possível a obtenção das necessárias economias de escala, pelo que a produção está tipicamente associada à existência de clusters industriais consumidores, que potenciem a sua utilização. A recuperação da pandemia COVID-19 poderá representar uma verdadeira oportunidade para que as renováveis assumam um papel central no alcance dos objetivos globais de combate às alterações climáticas”, sublinha a EY neste estudo.

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