O estudo da consultora Ernst & Young (EY) “Conhecer os desafios ajuda a encontrar o caminho? Portugal: Desafios para 2021” que o Watts On está a destacar num conjunto de seis artigos coloca a sustentabilidade como um dos aspetos-chave que dominará a atualidade, inclusive o setor financeiro.

Assim, para além do Eco-Living e da necessidade das empresas alinharem o seu propósito e estratégia com a agenda ambiental, social e governança, a EY releva o papel crucial que os serviços financeiros têm a desempenhar na transição para uma sociedade global sustentável, por via do seu contributo na concretização dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (SDG) das Nações Unidas, designadamente nas vertentes de regeneração ambiental, inclusão social e prosperidade económica (ESG).

Rudolfo Varela Pinto, Associate Partner EY, Risk, Financial Consulting Services, afirma que “a pressão no mundo corporativo para a transição para um modelo mais sustentável não é nova”, contudo, “forças como a consciência social, a agenda política, o comportamento do investidor, movimentos sustentáveis e o custo da mudança climática estão a acelerar a revolução da sustentabilidade, com impacto no governo, nos investimentos, na tecnologia”.

Neste contexto, Rudolfo Varela Pinto destaca que, “cada vez mais, os CEOs do setor veem os tópicos de ESG e SDG como importantes para a criação de valor e rentabilidade no longo prazo e para a evolução para um modelo de negócio que incorpora, by design, o risco e as oportunidades associadas a pessoas e planeta”.

Salienta este especialista que “o conceito de Governo está a evoluir à medida que as organizações passam a incorporar o seu propósito no centro do modelo de negócio, com os fatores ambientais e da sustentabilidade a assumirem uma posição de crescente relevo”.

A EY define sustentabilidade financeira como qualquer forma
de serviço financeiro que incentive a integração de critérios
ambientais, sociais ou de governo (ESG) nas decisões
de negócio de longo prazo.

Segundo Rudolfo Varela Pinto, o maior impulsionador da tomada de decisão ESG para gestores de ativos “é o aumento da rentabilidade e a transição para um futuro sustentável é uma das maiores oportunidades comerciais do nosso tempo! Tal pass pela introdução de novos produtos e serviços (como títulos verdes, títulos de sustentabilidade, fundos ESG) e pela melhoria da reputação e da marca através do foco no propósito e no valor de longo prazo”.

Contudo, frisa a EY, para que as oportunidades da neutralidade climática (‘net zero path’) sejam identificadas e concretizadas, os serviços financeiros devem assegurar um conjunto de passos designadamente:

►Incremento dos fluxos de capital para o financiamento da transição para um futuro sustentável.

►Desenvolvimento de capacidades para entender e medir o risco climático, o qual, no limite, pode motivar a reavaliação de todos os ativos financeiros.

►Transformação digital ao nível do acesso, exploração, qualidade e fiabilidade dos dados e transparência da informação.

Onda de rutura digital

Lembrando que os dados estão na base de quase todas as atividades financeiras sustentáveis e, em particular, na base das decisões, da gestão e da divulgação de informação, o especialista Rudolfo Varela Pinto salienta que se os dados se encontrarem fragmentados, de acesso difícil e demorado e revelando problemas de fiabilidade, “é necessário um movimento forte de desenvolvimento digital, de direcionamento do investimento para estruturas de dados sólidas, abrangentes e granulares e de construção de métricas comuns. Este é o cenário para uma nova onda de rutura digital, que se propagará aos produtos e serviços financeiros”, conclui o consultor.

Rudolfo Varela Pinto conclui que, “atendendo à dimensão dos desafios colocados pela sustentabilidade financeira, a agenda competitiva do setor financeiro a 10 anos será provavelmente definida pelas entidades incumbentes com maior força na atualidade, dada a experiência, maior escala e recursos digitais, e pelos gigantes digitais que se voltarão para o setor atrás das oportunidades criadas pelo desenvolvimento sustentável”.

A nova realidade, perspetiva a EY, será composta “por players diferentes, por aqueles que forem capazes de redefinir e transformar o modelo de negócio e de posicionar-se na vanguarda do desenvolvimento tecnológico”.

Os beneficiários serão “a economia, a sociedade e o planeta, através da criação de valor de longo prazo, dinamizada pelo setor financeiro”, remata a consultora.

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